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Lula deve voltar a conversar com líderes do Congresso após desentendimentos
A disputa entre o governo e os líderes do Congresso pelo Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) causou grande tensão, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva claramente frustrado com o comportamento dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (Uniao-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Apesar do tratamento próximo que Lula oferecia a ambos, incluindo convites para viagens, ele considerou a resistência deles injustificada.
Segundo um ministro, Lula ficou profundamente desapontado, principalmente com Hugo Motta, que chegou a evitar uma ligação do presidente pouco antes da votação que derrubou o aumento do IOF. Atualmente, entretanto, a relação mostra sinais de melhora.
Após a vitória no Supremo Tribunal Federal (STF), aliados esperam que Lula retome as conversas com os dois líderes depois do recesso. Conforme informado por um assessor, o presidente quis mostrar força com sua resposta, mas agora está disposto a dialogar novamente.
O Congresso voltou às atividades nesta segunda-feira, com possibilidade de Lula convocar uma reunião com os dois chefes das Casas Legislativas em breve. Desde 25 de junho, data da revogação do aumento do IOF, Lula não se encontrou pessoalmente com Motta e Alcolumbre. Mudanças nas prioridades, como a imposição de tarifas por parte dos EUA sobre produtos brasileiros, ajudaram a alterar a dinâmica entre governo e Congresso.
O líder do PDT, Mário Heringer (MG), observou que a união entre governo e Congresso frente a ameaças externas tem contribuído para a melhora da imagem governamental e para o distensionamento entre as partes.
Após a queda do aumento do IOF, o governo começou a apoiar a taxação dos super-ricos, gerando desconforto na Câmara. Grupos alinhados à esquerda também passaram a atacar diretamente Hugo Motta.
Hugo Motta, se convocado, não evitará encontrar Lula, mas afirma que isso não representa apoio às propostas do governo, buscando se posicionar como um parlamentar de centro, apoiando ora a oposição, ora a situação.
A prioridade do governo para este semestre é aumentar a faixa de isenção do Imposto de Renda para até R$ 5 mil mensais, plano que ainda precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado, com provável apoio de partidos do centrão.
O líder do Republicanos na Câmara, Gilberto Abramo (MG), frisou que, independentemente da popularidade, o planejamento para avançar em pautas positivas, como a isenção fiscal, permanece firme.
O veto de Lula ao projeto que aumentava o número de deputados de 513 para 531 também reflete sua reação à tentativa de derrubar a elevação do IOF. Pesquisas indicavam a rejeição popular à proposta. Apesar de divergências internas, o presidente quis mostrar que enfrentaria a cúpula legislativa caso o conflito persistisse.
Durante o conflito, o governo fez concessões ao Senado, permitindo indicações para agências reguladoras feitas pelos parlamentares da Casa, facilitando o agendamento de sabatinas para agosto. Davi Alcolumbre liderou essas negociações.
O vice-líder do governo no Senado, Otto Alencar (PSD-BA), destacou que o equilíbrio político depende muito do papel de pacificação dos presidentes das Casas, reconhecendo as dificuldades enfrentadas por Hugo Motta pela diversidade de opiniões na Câmara, com a provável piora do ambiente com a retomada dos trabalhos.
Um ministro do governo avalia que é possível recompor a relação entre os Poderes, mas reconhece que até novembro de 2026 não haverá facilidades para Lula na política. A reação do presidente a partir da votação do projeto que anulou o aumento do IOF foi considerada necessária para evitar que o Legislativo se fortalecesse em detrimento do Executivo.
Foi apontada uma tentativa de associar Lula a um perfil de derrotas políticas, em referência à ex-presidente Dilma Rousseff e seus enfrentamentos sucessivos com o Congresso, que culminaram em seu impeachment em 2016.
Derrotas históricas de Dilma, como o orçamento impositivo, que limitou o controle governamental sobre emendas parlamentares, e a emenda que elevou a idade de aposentadoria de ministros do STF, impediram sua influência sobre indicações na Corte, evidenciando fragilidade política que incentivou seus oponentes.
Lula decidiu não repetir esse erro, mostrando-se combativo antes de retomar o diálogo com Motta e Alcolumbre. A votação surpresa que derrubou o aumento do IOF, com comunicação tardia do presidente da Câmara, causou irritação no chefe do Executivo, que qualificou a decisão como um descumprimento de acordo e absurda.
A tentativa de resolver o conflito foi levada ao STF, gerando risco de maior tensão entre poderes, mas Lula sustentou que a ação era necessária para governar o país.
Em 16 de julho, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, manteve a maior parte do decreto que aumentava o IOF, revogando apenas a cobrança sobre operações específicas envolvendo antecipação pagos por varejistas a fornecedores via bancos, caracterizadas por taxas intermediárias.

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