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Lula foca soberania e evita confronto com Trump na campanha
Embora membros do governo considerem que Luiz Inácio Lula da Silva tenha alcançado um momento positivo neste terceiro mandato ao se posicionar contra Donald Trump após o anúncio das tarifas, o presidente pretende deixar o americano em segundo plano durante a campanha de reeleição. Conforme informações de um aliado participante das discussões estratégicas, Lula irá ajustar seu discurso, evitando se colocar como opositor direto de Trump ou mostrar proximidade com ele.
A defesa da soberania do país será um dos principais pilares da campanha. A intenção é apresentar o presidente como alguém que protege os interesses nacionais e apoia os empresários brasileiros. De acordo com os planos elaborados no centro de comando do PT, também se buscará reforçar a imagem de um líder experiente, capaz de conduzir o Brasil em meio às crises globais, como os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.
Analistas avaliam que um discurso anti-Trump atingiria principalmente o público mais à esquerda, que já tende a apoiar Lula, enquanto o foco para conquistar votos está no eleitorado de centro, menos influenciado por questões ideológicas profundas.
Além disso, uma postura mais rígida contra Trump poderia gerar interferências do ex-presidente norte-americano favorecendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário na disputa. Esse risco preocupa tanto o governo quanto o PT.
Busca por neutralidade
Um interlocutor importante do governo acredita que um bom relacionamento entre chefes de Estado pode favorecer algum nível de neutralidade institucional por parte dos Estados Unidos. Havia expectativa de que Lula conseguisse um encontro com Trump nos EUA em março, o qual ainda não aconteceu, para consolidar essa boa relação.
Segundo essa fonte, uma conexão positiva entre líderes frequentemente resulta num entendimento tácito que desencoraja interferências explícitas no processo eleitoral.
No entanto, ele se mostra cético quanto a uma neutralidade completa, pois dentro do governo americano e entre setores privados, especialmente ligados a plataformas digitais, existem grupos dispostos a influenciar as eleições brasileiras.
Nos preparativos da campanha, petistas ressaltam que o plano de não atacar Trump pode mudar caso o presidente dos EUA adote medidas contrárias ao Brasil, como classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas durante o pleito.
Após o anúncio das tarifas em julho do ano passado, Lula adotou discurso firme contra Trump, chegando a afirmar que se o americano tivesse feito no Brasil o que fez durante a invasão do Capitólio em 2021 “estaria sendo processado como Bolsonaro e correria o risco de prisão por ferir a democracia”. Ele também chamou de “afronta” uma carta do ex-presidente dos EUA que justificava as medidas econômicas.
Uma pesquisa da Quaest divulgada logo após mostrou melhoria na avaliação do governo, apontando a reação ao tarifação como um dos fatores para a redução da desaprovação. Imagens da bandeira americana sendo exibida em manifestações bolsonaristas foram usadas para reforçar a defesa da soberania e desgastar a oposição.
Depois dessa fase, Lula se aproximou de Trump e os dois se reuniram em outubro de 2025 na Malásia. Desde então, Lula tem moderado seus posicionamentos contra o ex-presidente americano.
Recentemente, o Brasil revogou o visto de um conselheiro sênior do Departamento de Estado, Darren Beattie, que pretendia visitar Jair Bolsonaro na prisão. O Planalto entende que Beattie atuou por conta própria, aproveitando a menor prioridade dada pelo governo americano ao Brasil em meio aos conflitos com o Irã.
Apesar da postura mais cautelosa de Lula, outras lideranças do PT continuam criticando Trump. Na semana passada, o presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que o Brasil não é uma extensão dos EUA em resposta à classificação das facções criminosas. Já o ex-ministro José Dirceu declarou que se Flávio Bolsonaro ganhar a eleição, o país será governado por interesses americanos e do ex-presidente norte-americano.

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