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Lula mantém neutralidade militar, mas condena guerra na Ucrânia

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Ao completar quatro anos do conflito na Ucrânia, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva enfrentou cobranças para adotar uma postura mais firme contra a invasão russa durante uma audiência no Senado, realizada em 24 de abril pelo grupo parlamentar Brasil-Ucrânia. O evento foi realizado em demonstração de solidariedade a Kiev e discutiu as ações do governo brasileiro em relação ao conflito.

O embaixador brasileiro na Ucrânia, Rafael de Mello Vidal, respondeu que o Brasil condena a invasão e mantém neutralidade militar, mas não moral.

“No aspecto moral, adotamos uma posição de condenação à invasão. Militarmente, permanecemos neutros, porém moralmente não”, afirmou o embaixador.

As críticas mais diretas vieram de parlamentares da oposição e membros da comunidade ucraniana no Brasil, enquanto diplomatas foram mais cautelosos. Representantes de diversas embaixadas europeias estavam presentes no Senado.

Os parlamentares reprovaram a posição do Itamaraty que optou por se abster em duas votações na Assembleia Geral da ONU, promovidas pela Ucrânia e países europeus aliados.

Entre os presentes estavam os senadores Flávio Arns (PSB-PR), presidente do grupo parlamentar, Sergio Moro (União-PR), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Damares Alves (Republicanos-DF) e Jorge Seif (PL-SC), todos ex-integrantes do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Às vésperas do início da guerra, Bolsonaro visitou o presidente russo Vladimir Putin em Moscou, o que gerou críticas pela aproximação com a Rússia.

Damares Alves lamentou a decisão brasileira de abstinência na ONU e classificou a atitude como uma vergonha, ressaltando que o povo brasileiro apoia a Ucrânia.

“Duas vergonhas para o Brasil”, disse ela, criticando a abstinência em resoluções que pediam o retorno de crianças ucranianas ilegalmente levadas para a Rússia.

Hamilton Mourão também expressou vergonha pelo posicionamento oficial do Brasil e condenou Putin como um ditador cujas autoridades cometem atrocidades durante a guerra.

Flávio Arns afirmou que o Brasil deveria ter uma posição mais definida e cobrou pessoalmente explicações ao chanceler Mauro Vieira.

Sergio Moro afirmou que o conflito é uma agressão e que a postura brasileira é muito tímida, destacando a necessidade de um posicionamento claro contra a guerra.

Jorge Seif enfatizou que defender a paz não pode significar ignorar a violação da soberania e o sofrimento de civis inocentes.

A embaixadora ucraniana para América Latina e Caribe, Oksana Dramaretska, destacou que o Brasil pode contribuir para a resolução do conflito, citando um voto de solidariedade do Senado que pediu esforços diplomáticos para mediar negociações e proteger crianças ucranianas.

Oleg Vlasenko, encarregado de negócios da embaixada ucraniana no Brasil, afirmou respeitar os esforços do Brasil por paz, mas alertou que isso não pode ser um prêmio para o agressor nem manter um conflito congelado que ameaça milhões.

Paul Grod, presidente do Congresso Mundial Ucraniano, ressaltou que a guerra começou com a anexação da Crimeia em 2014 e que a ausência de consequências para a Rússia poderia incentivar autoritarismos a cometerem atrocidades impunemente.

Kjetil Elsebutangen, embaixador da Noruega, afirmou que uma paz verdadeira deve respeitar as condições ucranianas e anunciou o apoio de Oslo ao fortalecimento das forças armadas da Ucrânia.

Desde o ano anterior, líderes europeus discutem como apoiar a defesa ucraniana, inclusive com a possível presença de tropas no terreno após cessar-fogo, apesar de resistências.

Rafael Vidal comentou que há grande expectativa quanto às negociações de paz conduzidas pelos Estados Unidos e que o presidente americano planeja uma reunião de chefes de Estado para breve.

Ele destacou que o Brasil defende uma solução diplomática baseada no direito internacional e multilateralismo, reforçando que condena o uso da força em qualquer conflito.

Além disso, elencou diversas ações do Brasil em organismos internacionais que apoiam a soberania e integridade territorial da Ucrânia, e mencionou que o chanceler Mauro Vieira pode visitar Kiev ainda neste semestre para encontros diplomáticos.

O Brasil também deverá enviar, junto com a Argentina via Mercosul, geradores para a Ucrânia como parte de uma iniciativa humanitária em andamento.

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