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maduro presta depoimento nos EUA pela primeira vez após captura

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O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, foi apresentado a um tribunal em Nova York nesta segunda-feira (5), dois dias após ter sido capturado em Caracas em uma operação militar ousada dos Estados Unidos, que afirma estar no controle do país.

Maduro, de 63 anos, é acusado de tráfico de cocaína para os EUA, assim como sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram forçadamente removidos de Caracas durante intensos ataques militares dos EUA no sábado, que envolveram comandos terrestres, bombardeios aéreos e grande força naval.

Detido em uma prisão no Brooklyn, Maduro será apresentado a um juiz ao meio-dia, horário local (14h00 no horário de Brasília). Novas acusações abrangem seu filho, apelidado de “Nicolasito”, o ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, e um traficante fugitivo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo que os EUA estão “no comando” da Venezuela e que discute os próximos passos com as autoridades venezuelanas emergentes, lideradas pela presidente interina, Delcy Rodríguez.

A nova chefe, ex-vice-presidente de Maduro, declarou na noite de domingo sua vontade de cooperar com o governo Trump, destacando uma relação respeitosa e equilibrada com os EUA.

“Convidamos o governo dos EUA para trabalharmos juntos em uma agenda de cooperação para o desenvolvimento mútuo”, disse Rodríguez após a primeira reunião de gabinete desde a deposição de Maduro.

O governo Trump demonstra disposição para colaborar com o restante do governo venezuelano, desde que seus objetivos, principalmente o acesso aos grandes depósitos petrolíferos da Venezuela, sejam atendidos.

Em resposta a perguntas sobre quem está realmente no comando, Trump afirmou: “Significa que nós estamos no comando”.

Conflitos e Reações

O Exército venezuelano reconheceu Rodríguez como presidente interina.

Nas ruas de Caracas, opositores permanecem silenciosos por medo de represálias e manifestações pró-Maduro têm sido pequenas.

Ao redor de 2.000 apoiadores de Maduro marcharam para exigir sua libertação, acompanhados por paramilitares e motociclistas, portando cartazes com frases como “Libertem nosso presidente” e “A Venezuela não é colônia de ninguém”.

Os hospitais venezuelanos se negaram a divulgar dados sobre mortes nos ataques dos EUA. Uma entidade médica local reportou cerca de 70 mortos e 90 feridos, enquanto fontes militares apontam pelo menos 15 vítimas fatais.

Havana afirmou a morte de 32 cubanos durante a operação; Trump disse que muitos cubanos na equipe de segurança de Maduro foram mortos.

O opositor venezuelano Edmundo González Urrutia, exilado na Espanha, classificou a captura de Maduro como um passo significativo para a normalização da Venezuela, mas insuficiente.

Ele pediu respeito aos resultados das eleições de 2024, que considera ter vencido, além da libertação de todos os presos políticos para assegurar uma transição democrática.

A União Europeia declarou que a transição na Venezuela deve incluir a líder da oposição María Corina Machado, ganhadora recente do Nobel da Paz, embora tenha sido excluída pelo governo Trump do processo de transição.

Ameaças e Política Externa

Trump ainda não se posicionou sobre a democracia na Venezuela e afirmou que as eleições ocorrerão no momento apropriado, enfatizando a prioridade em recuperar o país.

Críticas duras foram dirigidas ao presidente colombiano Gustavo Petro, acusado sem provas de envolvimento com tráfico de drogas, e ao governo comunista de Cuba, que segundo Trump está prestes a cair.

Os EUA mantêm uma força naval no Caribe que liderou a incursão na Venezuela e impede que navios petroleiros sancionados explorem o petróleo venezuelano.

Um representante americano afirmou que o secretário de Estado, Marco Rubio, discutirá a situação da Venezuela no Capitólio nesta segunda-feira.

Ambiente Internacional

Apesar do sucesso inicial da operação, dúvidas persistem sobre a estratégia dos EUA em relação à Venezuela.

O Conselho de Segurança da ONU realizará uma sessão emergencial a pedido de Caracas, com diversas potências expressando preocupações. China e Rússia condenaram prontamente o ataque dos EUA, enquanto países latino-americanos rejeitaram qualquer tentativa de controle sobre a Venezuela.

Maduro, que se apresenta como socialista, governou a Venezuela com rigor ao longo de mais de uma década, em eleições consideradas fraudulentas. Assume o poder em 2013 após a morte de Hugo Chávez.

Maduro fazia parte de um pequeno grupo de cinco líderes do chavismo: sua esposa Cilia Flores, a presidente interina Delcy Rodríguez, seu irmão Jorge Rodríguez e Diosdado Cabello.

Segundo fonte diplomática em Caracas, “é como um clube de cinco”; apesar de poderem falar, Maduro garantia o equilíbrio do grupo. Com sua remoção, o futuro do comando é incerto.

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