Centro-Oeste
Mãe pede construção de parque acessível no Taguaparque
Larissa Barros
Nem todas as crianças no Distrito Federal têm o direito de brincar igualmente. Em Taguatinga, uma mãe decidiu agir ao ver seu filho sendo excluído no Taguaparque. Ela iniciou um abaixo-assinado para exigir a construção de um parque infantil acessível, com equipamentos adequados para crianças com diferentes necessidades, como as neuro divergentes, trazendo à tona a discussão sobre acessibilidade e o abandono de obras públicas na cidade.
A ideia surgiu de Nayara Eleutério, mãe de Isaac Eleutério, que tem autismo não verbal. Ela explica que o Distrito Federal ainda não tem muitos espaços públicos preparados para crianças com limitações motoras ou neuro divergências. “Falar em inclusão ainda é algo teórico. Na prática, somos deixados de fora do convívio social”, afirma.
Essa situação ficou clara quando levou seu filho ao Taguaparque e percebeu que ele ficou isolado por falta de estrutura e equipamentos adaptados. A frustração levou Nayara a iniciar o abaixo-assinado, que busca garantir um lugar preparado para todas as famílias aproveitarem o lazer público sem exclusão.
O problema é agravado pelo fato de que a obra de um parque inclusivo começou em 2022, mas foi interrompida, deixando o local abandonado. Nayara denuncia o desperdício de recursos públicos e a falta de políticas focadas na inclusão real de crianças com deficiência ou necessidades especiais.
O objetivo do abaixo-assinado é conseguir pelo menos 500 assinaturas para protocolar o pedido formalmente na Administração Regional de Taguatinga e no Governo do Distrito Federal. Para muitas famílias, sair para lazer é complicado, porque cinemas, shoppings e parques geralmente têm estímulos que podem provocar crises ou não são acessíveis.
“O parque, por ser um lugar aberto e cheio de natureza, é um dos poucos locais onde consigo levar meu filho sem medo de julgamentos”, conta Nayara.
Ela também destaca o preconceito maior conforme a criança cresce, pois há a ideia errada de que autistas são sempre pequenos, e depois disso, a sociedade tem menos paciência. Crianças com desenvolvimento típico acabam reproduzindo preconceitos pela falta de informação e conscientização.
Nayara reforça que inclusão não é só ter brinquedos adaptados, é também ter sinalizações que mostrem que esses equipamentos foram pensados para crianças com necessidades específicas. Muitas crianças neuro divergentes não participam de brincadeiras coletivas, o que dificulta a interação.
O parque inclusivo previsto não é para separar as crianças, mas para integrar todas. “Precisamos de adaptações que permitam a convivência entre todas as crianças”, defende.
Ela acredita que símbolos e placas que informam sobre o autismo ajudam no aprendizado e na aceitação da diversidade. “Um espaço que valoriza a diversidade mostra que existimos e somos importantes”.
“Inclusão não é forçar a conviver com quem entende, mas adaptar o ambiente para que todos possam estar juntos sem constrangimentos”.
Nayara critica a interrupção das obras no parque. “O governo realiza muitas obras na cidade, mas esta está parada. Sou uma pessoa comum, trabalho muito e não sou especialista, mas vejo essa necessidade clara”.
Ela lamenta que seja preciso um abaixo-assinado para algo tão óbvio: um parque público com estrutura inclusiva, rampas, balanços adaptados e informação sobre diversidade.
Além disso, Nayara fala sobre a invisibilidade dos adultos autistas, que muitas vezes ficam isolados, cuidados por familiares exaustos e sem recursos.
Entre os pedidos do abaixo-assinado está a retomada do projeto, atualização do planejamento com especialistas, e ações de conscientização para quem frequenta o parque. “Queremos um cronograma claro e a certeza de que somos ouvidos”.
Nayara lembra que essa causa é de todos, não apenas das famílias com crianças especiais. “Um minuto para assinar pode mudar muitas vidas. Não se trata só de um parque, mas de dignidade”.
A Administração Regional de Taguatinga reconhece a importância do parque inclusivo e informa que a obra foi pausada para ajustes no plano de ocupação do Taguaparque, garantindo que tudo esteja conforme as regras urbanísticas e ambientais.
Após essas revisões, a construção do parque inclusivo deve continuar. A administração reforça seu compromisso com políticas que promovam lazer e igualdade para crianças com deficiência e suas famílias e está aberta para esclarecimentos.
O abaixo-assinado é online, rápido e não requer CPF, buscando mobilizar a comunidade para cobrar soluções. “Essa causa é de todos. Ninguém está imune a precisar de compreensão um dia”.

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