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Mais de 5.500 mortos por violência no Haiti em 10 meses, diz ONU
A violência causada por gangues e os ataques contra elas no Haiti resultaram em mais de 5.500 mortes entre março de 2025 e meados de janeiro de 2026, de acordo com um relatório divulgado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos nesta terça-feira (24).
O Haiti, o país mais pobre das Américas, enfrenta há anos a violência de grupos criminosos que praticam assassinatos, estupros, saques e sequestros.
“O Haiti continua enfrentando níveis alarmantes de violência de gangues, que prejudicam o exercício dos direitos humanos”, diz o relatório, ressaltando que forças de segurança, empresas privadas de segurança e grupos de autodefesa estão envolvidos nesses conflitos.
De acordo com os dados verificados, pelo menos 5.519 pessoas morreram e 2.608 ficaram feridas entre 1º de março de 2025 e 15 de janeiro de 2026.
Grande parte dessas mortes ocorreu durante operações das forças de segurança contra as gangues, que resultaram em ao menos 3.497 mortes e 1.742 feridos. A violência das gangues foi responsável por pelo menos 1.424 mortes e 790 feridos.
“É fundamental que as autoridades garantam a segurança respeitando integralmente os direitos humanos”, afirmou o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk.
Atos de grupos de autodefesa contra as gangues causaram pelo menos 598 mortes e 76 feridos.
As gangues, que predominam quase completamente no território da capital Porto Príncipe, expandiram sua influência para além da capital nos últimos 12 meses, especialmente nas áreas ao redor e ao norte da cidade.
O relatório detalha ainda abusos cometidos pela polícia, incluindo 196 casos de execuções sumárias de pessoas suspeitas de envolvimento com gangues.
Desde março de 2025, uma empresa militar privada, aparentemente contratada pelo governo haitiano, participou de operações que incluíram ataques com drones e disparos de helicópteros.
Além disso, o documento descreve episódios de violência cometidos por grupos de autodefesa e multidões que aplicam “justiça com as próprias mãos”, linchando indivíduos suspeitos de pertencerem a gangues.


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