Brasil
Manifestantes na Paulista apoiam prisão para culpados por violência em 8 de janeiro
Dentre os participantes do protesto bolsonarista na Avenida Paulista, neste domingo, 58% concordam com a detenção daqueles que praticaram atos de violência ou vandalismo durante os eventos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Deste grupo, 33% acreditam que as penas estipuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devem ser cumpridas integralmente, enquanto 25% defendem que as punições devem ser cumpridas, porém com redução nas penas.
Os dados foram obtidos por meio de um levantamento do Monitor do Debate Político, realizado pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) — coordenado por Pablo Ortellado e Márcio Moretto, ambos da Universidade de São Paulo (USP) — em conjunto com a ONG More in Common.
Quando questionados especificamente sobre a anistia para manifestantes violentos ou vândalos, 39% foram a favor da anistia, enquanto 3% não souberam responder.
A percepção muda significativamente em relação aos presos que, segundo os manifestantes, não estiveram diretamente envolvidos na depredação dos prédios na Praça dos Três Poderes. Neste caso, 91% apoiam a concessão de anistia, 5% sugerem redução das penas, 2% não responderam e outros 2% apoiam a manutenção das prisões mesmo sem considerar atos violentos.
Com relação aos políticos condenados por participar da trama golpista, 81% defendem anistia, 7% aprovam redução das penas e 7% aceitam o cumprimento total da prisão. Um dos condenados nessa situação é o ex-presidente Jair Bolsonaro, sentenciado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
O ato, denominado “Acorda Brasil”, foi convocado nacionalmente pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que participou dos protestos em Belo Horizonte e São Paulo. O manifesto foi contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os ministros Moraes e Toffoli. Inicialmente, a convocação nas redes sociais focava no lema “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”; posteriormente, devido a resistência de parte dos bolsonaristas, os organizadores incluíram pedidos de anistia.
Em relação à disputa presidencial, 74% dos manifestantes preferem que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seja o candidato da direita. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que não participou da manifestação por compromissos na Alemanha, foi citado por 10%. Outros nomes mencionados foram a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (4%), além de 9% que escolheram outros nomes, 3% que não definiram preferência e 1% que não souberam responder.
Em pesquisa anterior feita em março de 2025 na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, o mesmo grupo mostrou 42% de preferência pelo governador paulista para a eleição presidencial, enquanto Flávio Bolsonaro tinha 6%, ficando atrás até do seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (16%). Michelle Bolsonaro alcançava 21%, aparecendo em segundo lugar.
Entre os presentes, 62% eram homens, 77% se declararam “muito de direita”. A maioria dos bolsonaristas se considera muito conservadora em questões de família e sexualidade (67%), e cerca de metade se declarou católica (49%).
A maioria também apoia o impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do STF. A rejeição a Toffoli, devido à sua atuação nas investigações do caso Banco Master, é de 93%, enquanto para Moraes, principal alvo bolsonarista, chega a 95%.
Para coletar as informações, foram feitas 704 entrevistas entre 13h e 17h em vários pontos da Avenida Paulista, distribuídas ao longo da avenida e em diferentes horários.
O protesto bolsonarista na Paulista contou com uma estimativa de 20,4 mil participantes, segundo o Monitor do Debate Político. Este foi o segundo menor público registrado pelo grupo na Paulista, superando apenas uma manifestação de agosto de 2025, que reuniu 37,6 mil pessoas.
Considerando a margem de erro de 12%, o número de manifestantes pode variar entre 18 mil e 22,9 mil no pico, às 15h53. A contagem foi obtida por meio de cinco fotos aéreas analisadas por software de inteligência artificial, que utiliza o método Point to Point Network (P2PNet). Este processo tem precisão de 72,9% e acurácia de 69,5% na identificação de cada indivíduo.
Outro ato realizado neste domingo na Praia de Copacabana contou com 4,7 mil pessoas, a menor manifestação bolsonarista já registrada no Rio de Janeiro pelo estudo, superando o recorde anterior de 18,3 mil manifestantes em março do ano passado.

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