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Economia

Mendonça ordena afastamento de ex-diretor do BC em nova ação sobre Master

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A terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira, culminou com a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e o afastamento do ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, além de Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup).

Essa operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ambos, Santana e Souza, já haviam deixado seus cargos anteriormente.

Os servidores afastados atualmente também foram alvo de investigação interna relacionada ao escândalo do Banco Master. A sindicância teve início a partir de uma decisão do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no final do ano passado.

Paulo Sérgio Neves de Souza foi responsável por aprovar a compra do Banco Máxima pelo banqueiro Daniel Vorcaro, que posteriormente passou a se chamar Master. Recentemente, Souza atuava como chefe-adjunto do Desup, acompanhando a estabilidade do mercado financeiro.

Belline Santana chegou a ser considerada para assumir a diretoria de Fiscalização atualmente ocupada por Aílton de Aquino Santos. Ela assinou vários ofícios do Banco Central enviados ao Ministério Público Federal relacionados ao Master.

Um desses documentos foi usado pela defesa de Daniel Vorcaro em sua argumentação judicial, destacando uma operação suspeita envolvendo carteiras fictícias de crédito no final de 2024, que foi desfeita no início de 2025. Em outro ponto, o Banco Central não identificou irregularidades em transações de crédito consignado originadas pelo Master.

O escândalo veio à tona em 18 de novembro de 2025, quando o Banco Central decidiu liquidar o Banco Master, encerrando suas atividades, afastando administradores e bloqueando bens para pagamento de credores.

No mesmo dia, a Polícia Federal iniciou uma operação para investigar fraudes em uma venda de carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões, envolvendo o BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal.

Outra investigação realizada em conjunto pela Polícia Federal e Banco Central encontrou indícios de irregularidades na relação entre o Master e a gestora de recursos Reag DTVM, que foi liquidada em 15 de janeiro deste ano.

De acordo com as apurações, a instituição financeira de Daniel Vorcaro realizava empréstimos para empresas que repassavam recursos com o objetivo de inflar os resultados de fundos da Reag.

Após várias transações rápidas, o dinheiro retornava para o próprio Master em aplicações de CDB (Certificado de Depósito Bancário), um título emitido por instituições financeiras.

A nova etapa da operação, autorizada pelo ministro André Mendonça, visa investigar possíveis crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas informáticos cometidos por organização criminosa.

A Polícia Federal informou que contou com o apoio do Banco Central nas investigações.

Além disso, foram decretados afastamentos de cargos públicos e medidas de bloqueio e sequestro de bens no valor de até R$ 22 bilhões para impedir a movimentação de ativos relacionados ao grupo investigado e assegurar valores ligados às alegações de atividades ilícitas.

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