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michelle amplia poder de decisão com bolsonaro em casa

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A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu nesta terça-feira prisão domiciliar a Jair Bolsonaro por ao menos 90 dias, deve aumentar a influência de Michelle Bolsonaro na campanha de 2026.

Aliados contaram ao GLOBO que a ex-primeira-dama passa a ser o principal contato diário com o ex-presidente e deve influenciar diretamente as decisões políticas. Enquanto isso, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mantém uma agenda intensa fora de Brasília devido à pré-campanha.

A decisão permite visitas frequentes de advogados, o que amplia o acesso de Flávio ao pai. Contudo, sua rotina intensa deve limitar essa presença, já que possui compromissos de campanha e viagens, inclusive para participação no evento conservador CPAC, nos Estados Unidos.

O cenário atual reforça um movimento que já vinha acontecendo desde a crise do Banco Master e a internação do ex-presidente: Michelle assume maior protagonismo na articulação política enquanto Flávio cuida da organização dos palanques à distância. Essa diferença de atuação tem gerado atritos, pois a ex-primeira-dama não participa das reuniões da pré-campanha nem se envolve nas agendas organizadas pelo senador.

Aliados destacam que a reunião de Michelle com Alexandre de Moraes, na véspera da decisão, consolidou sua posição como líder do círculo próximo. Ela apresentou o parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) e fez um apelo pessoal ao ministro, fato que marcou uma mudança na influência da ex-primeira-dama. Flávio também teve um encontro com o ministro na semana anterior.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) ressaltou o papel de Michelle nas negociações e o tom de sua conversa:

“Michelle é uma mulher de fé e levou essa luta para um nível de oração. Ela tem orado pela vida do ministro desde o ano passado. Ontem falou com o coração, após um dia inteiro de oração. O ministro foi muito respeitoso com ela.”

Há relatos de que Michelle resiste à estratégia de alianças conduzida por Flávio e, em conversas reservadas, manifesta preferência por uma alternativa à sua candidatura, tendo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como principal referência. A relação entre eles é antiga e próxima, considerada um contraponto ao grupo liderado por Flávio dentro do PL.

Aliados afirmam que a possibilidade de Tarcísio como alternativa nacional é atualmente descartada, pois ele deve disputar a reeleição em São Paulo. Ainda assim, a proximidade com Michelle é vista como um sinal de distanciamento da estratégia do senador e um fator de pressão interna na definição da campanha.

Com Bolsonaro em casa, aliados avaliam que essa influência deixará de ser marginal. Michelle deve ganhar espaço para organizar agendas, filtrar interlocutores e influenciar a decisão sobre palanques, funções atualmente centralizadas por Flávio. Esse ajuste ocorre em meio a divergências já evidentes em estados importantes como Distrito Federal, Ceará e São Paulo.

A limitação de 90 dias para a prisão domiciliar foi mal recebida por parte dos aliados, que esperavam a concessão por tempo indeterminado, considerando a restrição como uma fonte de incerteza política.

Apesar do alívio pela saída da prisão, a decisão não muda a estratégia do grupo no Congresso. Aliados afirmam que a prisão domiciliar não encerra a luta pela revisão das penas. A discussão sobre a dosimetria das punições continua vinculada ao ambiente político no Senado e à resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), à criação de uma CPI para investigar o caso do Banco Master.

Para derrubar vetos e avançar na pauta, será necessário convocar uma sessão conjunta do Congresso, etapa que ainda está pendente e que tem sido evitada por Alcolumbre.

Damares reforçou essa visão ao afirmar que a prisão domiciliar não substitui uma mobilização mais ampla:

“É preciso pensar em todos os presos injustiçados.”

Já o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), rebateu a ideia de que a medida tenha impacto político:

“Isso jamais pode ser tratado como cálculo político.”

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