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michelle avança e desafia flávio após crise do master e internação de bolsonaro
O progresso das investigações sobre o Banco Master no Distrito Federal e a recente internação de Jair Bolsonaro provocaram, em poucos dias, uma mudança no controle do grupo bolsonarista.
No Distrito Federal, onde o escândalo abalou o círculo do governador Ibaneis Rocha e desestruturou a principal base da direita local, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro começou a tomar a frente na articulação política, influenciando diretamente a escolha de candidatos.
Com essa atuação, ela entrou em conflito com Flávio Bolsonaro, transformando uma disputa até então silenciosa em um embate aberto sobre os palanques para 2026. Ambos não comentaram sobre a situação.
O estopim foi a crise envolvendo o Banco Master e suas relações com decisões do governo local, em especial no BRB, banco estatal de Brasília. O desgaste aumentou após a revelação de um contrato de R$ 38 milhões firmado pelo escritório jurídico de Ibaneis relacionado à venda de honorários de precatórios a um fundo vinculado à Reag, investigada pela Polícia Federal por participação em um esquema ligado ao banco de Daniel Vorcaro.
O PL respondeu rapidamente, apresentando um pedido de CPI na Câmara Legislativa para investigar o BRB e exigir explicações do governo, marcando o rompimento com Ibaneis, até então aliado do bolsonarismo e possível candidato ao Senado com o apoio do partido.
Sem o governador como líder, a liderança do movimento no DF passou para Michelle, que agora dialoga diretamente com pré-candidatos e aprova cenários eleitorais. Este avanço ocorre enquanto Flávio conduz a estratégia nacional do partido, focado na formação de palanques mais amplos.
No DF, essa tensão se reflete em propostas conflitantes. Michelle apoia sua própria candidatura ao Senado junto com a deputada Bia Kicis e defende a vice-governadora Celina Leão (PP) para o governo local. Essa política é vista como mais alinhada com a base bolsonarista e o público evangélico, embora enfrente resistência interna por causa do desgaste do governo Ibaneis.
Por sua vez, aliados de Flávio buscam viabilizar o nome do senador Izalci Lucas como uma opção de centro-direita para reduzir os impactos do caso Master. A estratégia de Michelle rejeita essa alternativa, afirmando que Celina é a melhor escolha pela sua experiência no executivo.
Uma carta escrita por Jair Bolsonaro durante sua prisão fortaleceu essa reorganização, pedindo que aliados cessassem pressões sobre Michelle e autorizando seu envolvimento mais direto na política a partir de março. Isso foi interpretado como um sinal para que ela assumisse maior protagonismo.
O papel de Michelle poderá ser ampliado caso a prisão domiciliar para Bolsonaro seja concedida, permitindo que ela intensifique atividades políticas, organize encontros e retome articulações mais sistemáticas.
Michelle cuida da rotina de tratamento do marido, coordena sua alimentação e controla o acesso a ele, papel que tem forte impacto político no partido.
Enquanto isso, Flávio foca nas negociações institucionais e chegou a se reunir com ministros, buscando a prisão domiciliar para o ex-presidente.
Ela também acionou aliados influentes em negociações ministeriais, reforçando sua frente política independente.
O Ceará exemplifica a discordância, com Flávio buscando aliança com Ciro Gomes para ampliar o espaço do PL no Nordeste, mas resistências internas de Michelle impedem essa aproximação, que considera incompatível com a base bolsonarista.
Ainda assim, a expectativa é que Flávio avance com a aliança e anuncie apoio a Ciro em breve.
Em Minas Gerais, as divergências aparecem na escolha dos candidatos, com Flávio buscando parcerias com o senador Cleitinho e setores empresariais, enquanto Michelle se mantém próxima ao deputado Nikolas Ferreira.
Em São Paulo, o embate gira em torno da influência do PL na chapa de Tarcísio de Freitas, com Flávio querendo ampliar a presença do partido, enquanto Michelle defende a manutenção do atual acordo para evitar desgastes políticos.
No Paraná, a reaproximação com Sergio Moro foi conduzida por Flávio e dirigentes do partido sem participação de Michelle, aumentando a percepção de exclusão dela das decisões estratégicas.
Publicamente, a narrativa é de unidade dentro do bolsonarismo:
“Quando o presidente Bolsonaro escolheu, alguém poderia preferir outra opção, mas como temos um líder, seguimos sua decisão. Agora, 100% dos apoiadores do presidente estão com Flávio Bolsonaro,” declarou o deputado Cabo Gilberto Silva.

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