Brasil
Minas Gerais vive o pior período de chuvas dos últimos 20 anos
De acordo com dados recentes da Defesa Civil de Minas Gerais, o atual período de chuvas, que começou em 1º de outubro de 2025 e deve terminar no final de março, é o mais mortal registrado no Estado nas últimas duas décadas. A chuva intensa da última semana na Zona da Mata, especialmente nas cidades de Juiz de Fora e Ubá, foi um fator determinante.
Até a tarde da sexta-feira, dia 27, o número de mortos nas duas cidades totalizava 65, segundo o Corpo de Bombeiros — com 59 vítimas em Juiz de Fora e seis em Ubá.
Existem ainda quatro pessoas desaparecidas entre os escombros, enquanto centenas de famílias ficaram desabrigadas ou desalojadas. Os temporais causaram deslizamentos, inundações e o colapso de várias construções.
Somando todos os números oficiais da Defesa Civil, Minas Gerais contabilizou 81 mortes neste período chuvoso. Este número supera as 74 fatalidades registradas entre 2019 e 2020, quando os eventos extremos ocorreram de forma mais dispersa pelo Estado.
Segundo relatórios da Gerência de Monitoramento Hidrometeorológico e Eventos Críticos do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), entre 2019 e 2020, cidades como Belo Horizonte, Florestal, Ibirité, Viçosa e Diamantina experimentaram volumes pluviométricos superiores ao esperado para o ano completo.
Atualmente, as mortes causadas pelas chuvas estão concentradas nas localidades afetadas pelos eventos recentes, e há possibilidade de aumento no número de vítimas, já que as chuvas continuarão até março e ainda há desaparecidos.
Além de Juiz de Fora (62 mortes) e Ubá (6), outras cidades com óbitos são Eugenópolis (4), e Muriaé, Sabará, São Thomé das Letras, Pouso Alegre, João Pinheiro, Porteirinha, Santana do Riacho e Santa Rita de Caldas, cada uma com um registro de morte.
O total atualizado de vítimas, considerando um caso não contabilizado nos boletins recentes da Defesa Civil, é de 81.
Gestão dos recursos
Segundo reportagem do Estadão, o governo de Romeu Zema (Novo) reduziu drasticamente em 95% os investimentos no Programa de Suporte às Ações de Combate e Resposta aos Danos Causados pelas Chuvas. Os registros do Portal da Transparência indicam que os gastos caíram de R$ 134.829.787,08 em 2023 para R$ 5.875.482,98 em 2025.
O governo ressalta que esses valores não incluem investimentos feitos em piscinões na Região Metropolitana de Belo Horizonte, avaliados em aproximadamente R$ 200 milhões, nem a aquisição de kits para a Defesa Civil destinados a mais de 600 municípios, com custo estimado em R$ 70 milhões.
Na cidade de Juiz de Fora, onde cerca de 25% da população reside em áreas de risco, foi utilizado apenas 16,5% dos recursos federais destinados a obras de contenção de encostas via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). De um total previsto de R$ 70,2 milhões para três contratos, apenas R$ 11,56 milhões foram empregados pela prefeitura.
Conforme o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Juiz de Fora possui a 9ª maior população do país vivendo em áreas de risco. Na última quarta-feira, dia 25, a Defesa Civil avisou 800 famílias em áreas suscetíveis a deslizamentos a deixarem suas residências por segurança.
Sobre o baixo uso dos recursos para obras de contenção, a administração municipal explicou que construções financiadas por programas federais envolvendo grandes volumes, como o PAC, seguem procedimentos técnicos rigorosos e controles minuciosos. A prefeitura destacou ainda que os investimentos realizados em áreas de risco mapeadas desde 2023 somam quase R$ 22,1 milhões.

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