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Ministro Moraes nega troca de mensagens, mas software da PF e peritos apontam outra versão

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou ter trocado mensagens com Daniel Vorcaro, do Banco Master, no dia de sua prisão, mas essa afirmação contraria as evidências apresentadas pelo software utilizado pela Polícia Federal (PF) e pela análise de especialistas em perícia digital.

Segundo a jornalista Malu Gaspar, as mensagens via WhatsApp entre Moraes e Vorcaro, em 17 de novembro, foram enviadas como imagens de visualização única, apagadas automaticamente após abertas. Os arquivos provenientes de anotações no bloco de notas de Vorcaro ficaram salvos em seu aparelho e foram recuperados pela PF.

Em nota, Moraes afirmou que as capturas de tela estavam armazenadas em pastas de terceiros no computador de quem fez as impressões, sugerindo que as mensagens não lhe foram endereçadas diretamente. Contudo, peritos criminais ouvidos pelo GLOBO explicaram que o software da PF reorganiza os arquivos extraídos do celular segundo um algoritmo próprio, não vinculando o arquivo ao destinatário no WhatsApp.

A PF utiliza o programa IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), lançado em código aberto em 2019, para análise dos dados digitais. Na extração, o IPED indica a localização original dos arquivos no dispositivo, mas os reorganiza para manter a integridade, nomeando pastas conforme códigos criptográficos chamados de hash.

Os prints das mensagens enviadas ao ministro estavam na pasta genérica da galeria do iCloud do celular de Vorcaro. Os contatos salvos ficam em local distinto, mas o software os coloca juntos em diretórios nomeados a partir dos caracteres iniciais do hash do arquivo, sem relação direta entre conteúdo e destinatário.

Peritos confirmaram que essa organização é padrão do software e não implica necessariamente envio de mensagens para os contatos cujos arquivos estão na mesma pasta. Por exemplo, uma imagem com a anotação “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?” está na mesma pasta do contato do senador Irajá Abreu (PSD-RO), que negou qualquer contato com Vorcaro.

Além disso, outro contato que aparece associado a capturas de tela é o do presidente do União Brasil, Antônio Rueda, que também negou ter recebido mensagens do empresário no dia da prisão.

Os dados indicam que as evidências das mensagens foram extraídas de um programa que reúne os arquivos segundo uma lógica própria de segurança e não de uma correspondência direta com os destinatários, contrariando o argumento do ministro.

O GLOBO teve acesso às mensagens que mostram o número e nome do ministro ao receber as imagens, conferidos por fontes próximas ao caso. Para preservar a privacidade, o número foi ocultado nas publicações e a veracidade das informações foi confirmada durante as apurações.

Esses novos elementos reforçam a necessidade de uma análise detalhada e técnica do material eletrônico para esclarecer o ocorrido no dia da prisão de Daniel Vorcaro.

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