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Moro e Bolsonaro: uma relação de altos e baixos
Sergio Moro e Jair Bolsonaro têm uma história de relacionamento marcada por muitos altos e baixos, traçada por momentos de apoio e críticas mútuas. Recentemente, o apoio do grupo bolsonarista à candidatura do ex-juiz, anunciado por Flávio Bolsonaro, representa um novo episódio de reaproximação entre eles.
Essa decisão levou em conta os planos do governador do Paraná, Ratinho Jr., que deseja se candidatar à presidência, tornando-se concorrente de Flávio Bolsonaro. Assim, o clã Bolsonaro optou por apoiar Moro em sua filiação ao PL e sua candidatura ao governo do Paraná, onde ele deve enfrentar Guto Silva, secretário das Cidades e possível adversário de Ratinho Jr..
A escolha de Moro não foi unânime dentro do PL, mas foi vista como a melhor maneira de garantir um palanque forte para Flávio Bolsonaro no estado, além de fortalecer a direita local e evitar depender do projeto de Ratinho Jr..
A relação dele com Bolsonaro começou em 2018, quando Moro aceitou o cargo de ministro da Justiça, após ganhar notoriedade pela Operação Lava-Jato, que levou à prisão de Lula. Bolsonaro desejava que Moro tivesse ampla liberdade para combater o crime e a corrupção, nomeando-o superministro.
No entanto, logo surgiram atritos, principalmente devido à aprovação parcial de seu pacote anticrime e à transferência do Coaf para outra pasta, o que gerou desentendimentos com a base aliada e o Planalto.
Para acalmar os ânimos, Bolsonaro chegou a chamar Moro de “patrimônio nacional” em público. Porém, as divergências aumentaram em 2019, especialmente sobre o controle da Polícia Federal, que Bolsonaro queria manter sob sua influência direta.
Em abril de 2020, Moro pediu demissão, alegando interferência de Bolsonaro na PF, quando foi exonerado o diretor-geral indicado por ele, Maurício Valeixo. Na saída, Moro expressou a necessidade de preservar sua reputação e criticou a falta de empenho do governo no combate à corrupção.
As tensões levaram a um inquérito do STF e a divulgação de gravações de uma reunião ministerial que mostraram Bolsonaro afirmando seu controle sobre a segurança do país. Ainda em depoimento à polícia, Moro foi chamado de “judas” por Bolsonaro, que o acusou de agir por interesses pessoais.
Após essa ruptura, Moro sofreu ataques de bolsonaristas e lançou sua pré-candidatura à presidência em 2021, que não avançou. Durante a campanha de 2022, porém, voltou a apoiar Bolsonaro no segundo turno, reconhecendo sua luta contra a corrupção.
Com a derrota de Bolsonaro, os dois se distanciaram novamente, mas mantiveram uma relação cordial. Eleito senador, Sergio Moro tornou-se uma voz firme contra o governo Lula, criticando especialmente a severidade das penas aplicadas.

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