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Mortes nos protestos no Irã chegam a quase 200, informa ONG
Pelo menos 192 manifestantes morreram nos maiores protestos contra o governo no Irã em três anos, informou a ONG Iran Human Rights neste domingo (11).
Os protestos começaram há duas semanas, motivados inicialmente pelo aumento do custo de vida, mas evoluíram para uma contestação ao regime teocrático que governa o Irã desde a revolução de 1979.
Essas manifestações são um dos maiores desafios enfrentados pelo governo do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, após a recente guerra de 12 dias entre Israel e a República Islâmica, que contou com o apoio dos Estados Unidos.
Em caso de ataque militar americano, Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, alertou que as forças americanas seriam alvos legítimos, referindo-se possivelmente a Israel, país que o Irã não reconhece oficialmente.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, comentou que a nação persa deverá ser libertada em breve da opressão.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian manifestou que a população não deve permitir atos de vandalismo que perturbem a ordem social, apesar da continuidade da mobilização. Vídeos mostram multidões protestando em várias cidades, incluindo Teerã e Mashhad, mesmo com o bloqueio total da internet, o que tem dificultado a comunicação com o exterior.
O bloqueio da internet, que já dura mais de 60 horas, representa uma ameaça direta à segurança e ao bem-estar da população, segundo a organização Netblocks.
Vídeos não verificados mostram pessoas identificando corpos de manifestantes mortos. A ONG Iran Human Rights confirmou a morte de pelo menos 192 manifestantes, embora o número real possa ser maior devido à dificuldade de verificação causada pelo corte da internet.
O Centro para os Direitos Humanos no Irã, com sede nos Estados Unidos, alertou para um massacre em andamento e pediu ação internacional urgente para evitar mais perdas de vidas. Eles indicaram que hospitais estão sobrecarregados, os estoques de sangue estão baixos e muitos manifestantes sofreram ferimentos graves, incluindo nos olhos.
Outra agência com sede nos EUA confirmou a morte de 116 pessoas ligadas aos protestos, entre elas 37 membros das forças de segurança e funcionários.
O chefe da polícia nacional, Ahmad Reza Radan, anunciou prisões significativas de líderes dos protestos.
O chefe de segurança, Ali Larijani, diferenciou entre manifestações econômicas legítimas e tumultos, comparando estes últimos a métodos terroristas.
Teerã está praticamente paralisada com o aumento dos preços e o fechamento de muitas lojas.
Reza Pahlavi, filho exilado do xá deposto e importante figura na organização dos protestos, convocou a população a permanecer nas ruas, expressando solidariedade e esperança de estar ao lado dos manifestantes em breve.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, pediu à União Europeia para designar a Guarda Revolucionária do Irã como organização terrorista.
O papa Leão XIV falou sobre a situação no Irã e fez um apelo fervoroso por diálogo e harmonia.

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