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Negociação entre EUA e Irã é vista como piada, afirma embaixador

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O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri, declarou nesta segunda-feira (30) que a população iraniana tem se manifestado nas ruas, exigindo que o governo não ceda às promessas de negociação dos Estados Unidos (EUA).

Segundo Agência Brasil, o diplomata mencionou que o presidente dos EUA, Donald Trump, parece estar em um diálogo consigo mesmo, e que essa ideia de negociação entre os dois países tornou-se motivo de escárnio mundial.

Donald Trump reiterou que há conversas com um possível “novo regime” no Irã, renovando a ameaça de atacar infraestruturas de energia elétrica e petróleo, caso Teerã não libere o Estreito de Ormuz.

Abdollah destacou que a opinião pública iraniana está pressionando fortemente o governo e alertando para que não se deixe enganar pelo suposto processo de negociação da outra parte.

Após o assassinato do líder supremo Ali Khamenei pelos EUA em fevereiro, seu filho Seyyed Mojtaba Khamenei assumiu a liderança da estrutura de poder iraniana, que inclui o Executivo, o Parlamento, o Judiciário e o Conselho dos Guardiões, composto por indicados tanto por Aliatolá Khamenei quanto pelo Parlamento.

O embaixador também questionou a ideia de que grupos do Eixo da Resistência, como o Hezbollah no Líbano e os Houthis no Iêmen, seriam meros representantes do Irã, esclarecendo que esses grupos lutam por seus próprios interesses e não por terceiros.

Principais trechos da entrevista

Agência Brasil: Acha que o fim do conflito está distante? Como o governo iraniano deseja resolver essa situação?

Abdollah: Em junho de 2025, durante as negociações com os EUA, fomos atacados, o que resultou na guerra de 12 dias.

Agência Brasil: Os ataques iranianos afetaram significativamente a capacidade militar de Tel Aviv?

Abdollah: Com base em informações, o regime sionista sofreu danos consideráveis. Nossas ações militares são estratégicas e alinhadas com nossos valores éticos e religiosos.

Agência Brasil: Como avaliam os ataques dos EUA e Israel contra universidades no Irã, supostamente usadas para atividades de defesa?

Abdollah: Fundamos a Universidade Jodhichapur, a primeira instituição universitária moderna do mundo, localizada no Irã, com cerca de 1.800 a 2.000 anos de existência, muito anterior à criação dos EUA e do regime sionista.

Agência Brasil: Após um mês de guerra, qual é a situação interna no Irã, considerando oferta de água, energia e migração interna?

Abdollah: Apesar das agressões, incluindo o assassinato do líder supremo e autoridades militares, a reação popular tem sido intensa e persistente nas ruas, mesmo sob condições climáticas adversas. O povo iraniano defende vigorosamente sua soberania.

Nos últimos 47 anos desde a Revolução Islâmica, nunca estivemos livres das sanções e pressões dos EUA e do Ocidente. Os ataques a universidades e cientistas evidenciam nosso progresso científico e tecnológico.

Avaliação da mídia

Agência Brasil: Como analisa a cobertura da mídia brasileira sobre o conflito?

Abdollah: Agradeço à maioria dos veículos brasileiros por mostrar a realidade da guerra. Entretanto, há exceções, como o editorial “Ninguém vai chorar pelo Irã” do jornal Estado de S. Paulo, que considero uma abordagem não profissional.

Sobre grupos aliados e o Eixo da Resistência

Agência Brasil: Qual o posicionamento do Irã sobre grupos aliados como Hezbollah, Resistência no Iraque e Houthis no Iêmen?

Abdollah: Os EUA, o Ocidente e o regime sionista empregam uma linguagem política equivocada ao rotular estes grupos como proxies do Irã. Na realidade, estes movimentos buscam a liberdade em seus próprios países.

No Líbano, por exemplo, o Hezbollah nasceu após a invasão israelense na década de 1980. Com sua força, conseguiram expulsar Israel para além das fronteiras.

No Iraque, após a invasão dos EUA em 2003, os iraquianos lutam para expulsar os americanos e defender seu território.

Na Palestina, a luta é contra a ocupação de seus territórios pelo regime sionista, que causou a morte de mais de 70 mil pessoas nos últimos anos. Os palestinos lutam por sua população e terra, não por uma entidade externa.

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