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Economia

Nelson Tanure perde controle da Alliança Saúde

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Após perder o comando da Empresa Metropolitana de Água e Energia (Emae) em outubro, o investidor Nelson Tanure enfrentou mais uma execução de dívida. Consequentemente, ele deixou de controlar a Alliança Saúde e também reduziu sua participação acionária na Light. As ações dessas empresas foram oferecidas como garantia em um empréstimo para aquisição da Ligga Telecom, realizado por um consórcio que inclui as gestoras Farallon e Prisma, além dos bancos BTG Pactual e Santander.

Nem Tanure nem os credores se manifestaram sobre o assunto.

Em comunicado divulgado no último sábado, a Alliança Saúde informou que os fundos vinculados a Tanure agora possuem apenas 6,96% da empresa, uma queda significativa em comparação com os quase 67% detidos anteriormente. Com essa redução, Tanure perdeu o controle da companhia, que já teve sua filha como presidente executiva. Atualmente, Isabella Tanure ocupa a presidência do conselho de administração da Alliança.

Por sua vez, a Light declarou que o fundo Opus FIP passou a deter 9,9% das ações da empresa devido à execução da garantia fiduciária. Isso indica que as ações dadas em garantia para um empréstimo foram executadas.

Bloqueio

Em dezembro, Tanure conseguiu um prazo adicional para adiar o pagamento da dívida de R$ 1,2 bilhão relacionada à compra da Ligga, conforme divulgado pelo Estadão. Entretanto, sua situação financeira deteriorou-se rapidamente.

Tanure foi um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero. Em 6 de janeiro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, relator do caso Master, determinou o bloqueio dos bens do empresário.

Uma investigação da Polícia Federal apura a relação de Tanure com o Banco Master. Ele tentou levar outro processo, que o investiga por uso de informação privilegiada na Gafisa, para o STF, mas o pedido foi negado, e o caso retornou à Justiça de São Paulo.

Tanure e Daniel Vorcaro, controlador do banco liquidado em novembro, frequentemente adquiriram participações em empresas em dificuldade. Parte dos recursos dessas companhias era aplicada em papéis do Banco Master. Com a falência do banco, parte dos investimentos e garantias de Tanure também foi comprometida.

Bola de neve

O empréstimo que resultou na execução das garantias, divulgada no sábado, foi originalmente tomado pela Bordeaux Participações, empresa de Tanure. A Copel, depois transformada em Ligga Telecom, foi adquirida por R$ 2,5 bilhões em 2020. Para isso, Tanure aportou R$ 1 bilhão e financiou o restante do valor.

Fontes indicam que Tanure quitou o principal do empréstimo, mas não conseguiu pagar os juros, representando sua maior dívida em aberto.

Em outubro, ele perdeu o controle da Emae para a Sabesp, que pagou R$ 1,1 bilhão à XP Investimentos e ao agente fiduciário Vórtx. Tanure havia feito um empréstimo para a comprar a empresa de energia.

O primeiro vencimento dos juros ocorreu em setembro e não foi honrado. Um novo prazo com encargos foi concedido, mas também não foi cumprido. A dívida total atingia cerca de R$ 650 milhões. Sem expectativa de pagamento, a Emae foi ofertada no mercado e adquirida pela Sabesp.

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