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Netanyahu viaja aos EUA para discutir programa de mísseis do Irã com Trump
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu vai se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington nesta quarta-feira (11). O objetivo principal do encontro é pressionar por uma postura mais rigorosa dos EUA quanto ao programa de mísseis do Irã, que ameaça a segurança de Israel.
Este será o sétimo encontro entre os dois líderes desde que Trump voltou à presidência há pouco mais de um ano, ocorrendo logo após uma recente rodada de negociações entre os Estados Unidos e o Irã em Omã.
Trump mantém uma presença militar significativa no Oriente Médio, com vários navios de guerra, e intensificou sanções contra o petróleo iraniano. Ele anunciou que em breve haverá uma nova rodada de negociações.
“Nesta viagem, discutiremos diversos temas, incluindo Gaza e a situação regional, mas a negociação com o Irã é nossa prioridade”, afirmou Netanyahu antes de embarcar para Washington.
O gabinete do primeiro-ministro Netanyahu destacou que a principal preocupação será o arsenal de mísseis balísticos do Irã, além do programa nuclear da República Islâmica.
De acordo com seu gabinete, Netanyahu defende que qualquer acordo deve impor limitações aos mísseis balísticos e o fim do suporte iraniano a grupos aliados na região, como Hezbollah, rebeldes huthis e Hamas, todos vistos como inimigos de Israel.
Israel, embora não oficialmente reconhecida como potência nuclear, travou em junho do ano passado um conflito de 12 dias contra o Irã, atacando instalações militares e nucleares. Os EUA apoiaram com bombardeios adicionais em instalações iranianas.
O Irã respondeu com lançamentos de mísseis que causaram dezenas de mortos em território israelense. Desde então, autoridades israelenses afirmam que o programa de mísseis iraniano representa um risco ainda maior para sua segurança do que o nuclear.
Danny Citrinowicz, especialista do Instituto Israelense de Estudos de Segurança Nacional, afirma que, embora esse programa não seja uma ameaça existencial, ele representa um desafio significativo para a segurança interna de Israel.
O Irã nega que suas negociações se estendam para além do programa nuclear pacífico, contrariando o receio dos EUA e Israel sobre uma possível arma nuclear.
Além das questões nucleares, Washington pretende abordar os mísseis e a influência iraniana regional, que enfraqueceu após conflitos recentes e mudanças políticas no Oriente Médio.
Antes da visita, o Ministério das Relações Exteriores do Irã pediu aos EUA que resistam às pressões de Netanyahu e ajam com independência na região.
Paralelamente, o chefe da agência de segurança iraniana, Ali Larijani, reuniu-se com o sultão de Omã para enfatizar a importância do diálogo pacífico para resolver as diferenças.
Mísseis: uma linha que não pode ser ultrapassada
Especialistas concordam que Netanyahu teme que um acordo entre EUA e Irã possa ser fraco ao não incluir as restrições ao programa de mísseis, que ele considera uma séria ameaça para Israel.
O professor Guy Ziv, da American University, observa que Netanyahu quer convencer Trump a ver os mísseis balísticos iranianos como uma linha vermelha que não deve ser ultrapassada em negociações.
O analista Michael Horowitz destaca que o objetivo final do primeiro-ministro israelense é a mudança de regime no Irã ou, no mínimo, a eliminação total das capacidades nucleares e de mísseis do país.

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