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Níveis dos reservatórios do Sudeste não vão melhorar este ano, alerta Cemaden

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Cada gota é essencial para a região mais populosa do Brasil. O Sudeste começa 2026 em uma situação de grave seca. Mesmo que as chuvas sejam acima do esperado até março, quando termina o período chuvoso, os reservatórios não terão uma recuperação significativa, alerta o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

As temporais recentes criaram uma falsa sensação de abundância de água, mas foram apenas eventos passageiros, sem impacto real na reposição das reservas hídricas, que enfrentam escassez desde 2013.

A condição hídrica no Sudeste, principalmente em São Paulo, é crítica, com níveis dos reservatórios piores do que em qualquer momento desde a crise de 2014-2015.

Em 2025, a precipitação foi tão baixa, especialmente em São Paulo, que mesmo chuvas normais ou acima da média não serão suficientes para recuperar os reservatórios, segundo nota técnica do Cemaden. A previsão indica chuvas dentro ou abaixo da média, com chuvas acima do esperado sendo um cenário improvável e, mesmo assim, insuficiente.

Marcelo Seluchi, coordenador de operações do Cemaden, destaca: “A mensagem principal é que 2026 não trará melhorias para o Sudeste. A seca continua intensa e o período chuvoso termina em março. É um ano para planejamento estratégico do uso da água, pois o clima não irá colaborar.”

O Cemaden avaliou três cenários para janeiro a março: chuvas abaixo da média, normais e acima da média. Contudo, os níveis críticos dos reservatórios e lençóis freáticos são tão baixos que mesmo chuvas acima da média não garantiriam uma recuperação superior a 60%.

Seluchi acrescenta: “Janeiro já está perdido, sem chuva suficiente. Caminhamos para um ano difícil no abastecimento e na geração de energia. A Agência Nacional de Água (ANA) e o Operador Nacional do Sistema (ONS) têm feito esforços para preservar os reservatórios, mas a situação continua grave.”

O último trimestre de 2025 foi um dos mais secos da década, afetando reservatórios importantes como o Sistema Cantareira e o Sistema Integrado Metropolitano da Região Metropolitana de São Paulo.

O período chuvoso, de outubro a março, é crucial para a recarga dos reservatórios. No entanto, entre outubro e dezembro de 2025, a precipitação ficou significativamente abaixo da média, com uma anomalia média de −113,7 mm, números piores do que em 2014, 2015 e 2019.

Mais de 50 dias sem chuva foram registrados em grande parte do Sudeste nesse trimestre, chegando a mais de 80 dias em partes do interior e norte da região, causando atrasos na recarga dos reservatórios, rios com baixos níveis e pressão sobre o abastecimento.

A Região Metropolitana de São Paulo é suprida por sete sistemas de abastecimento, formando o Sistema Integrado Metropolitano (SIM). Em 30 de dezembro, o SIM apresentava apenas 26,1% do volume útil, o menor desde 2013.

Na mesma data, o Sistema Cantareira estava com 20,2% e o Alto Tietê com 19,8%, níveis inferiores aos registrados em 30/12/2013.

Na Bacia do Paraíba do Sul, os reservatórios seguem o mesmo padrão, com ganhos temporários durante anos mais úmidos, mas sem recuperação estrutural, mantendo alta dependência das condições climáticas anuais.

O problema não está no calor, pois as temperaturas máximas médias ficaram próximas ou abaixo da média, com picos de calor apenas em momentos pontuais no fim de dezembro. A seca de 2024/2025 é causada principalmente pela falta e irregularidade das chuvas, e não pelo calor.

Seluchi sugere que a falta de chuva pode estar relacionada ao fenômeno La Niña, mas o principal fator é a redução da umidade devido à mudança no uso do solo, como o desmatamento.

“Estamos derrubando a Mata Atlântica, a Amazônia e o Cerrado. Isso altera o padrão de evaporação, pois áreas desmatadas não apresentam a mesma umidade que florestas ou vegetação nativa”, explica Seluchi.

Nas últimas seis décadas, as chuvas têm diminuído no Brasil e o período chuvoso se tornou mais curto. As mudanças climáticas não decorrem apenas das emissões de gases, mas também da alteração da cobertura vegetal, que é o que está acontecendo atualmente.

Seluchi conclui: “Essa é a verdadeira causa por trás do problema.” Ele ressalta que não houve nenhum sistema meteorológico importante capaz de alterar o cenário de escassez de chuvas.

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