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Nível de potássio em paciente do DF é três vezes maior que o permitido

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O prontuário médico do servidor público João Clemente Pereira, 63 anos, revelou que o nível de potássio em seu sangue estava três vezes acima do limite permitido. Ele foi uma das três vítimas fatais no Hospital Anchieta, em Taguatinga, DF.

De acordo com as investigações e depoimentos da família, o aumento anormal de potássio ocorreu após a administração de um medicamento por três técnicos de enfermagem, que foram presos sob suspeita.

Após as prisões, ao menos seis outras famílias procuraram a Polícia Civil relatando mortes suspeitas no mesmo hospital.

Além de João Clemente Pereira, os técnicos são suspeitos de causarem a morte de Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos, e Miranilde Pereira da Silva, 75 anos. As autoridades acreditam que pode haver mais vítimas ligadas a esses profissionais, tanto na rede pública quanto privada.

Segundo familiares, João Clemente sofreu quatro paradas cardíacas. No dia 17 de novembro, durante as primeiras três paradas, o nível de potássio registrado foi 14,9, muito acima do normal. Na quarta parada, que ocorreu na madrugada seguinte e causou sua morte, esse índice foi 7,5.

Dr. Miguel Antônio Moretti, cardiologista e membro do Conselho Administrativo da Sociedade Brasileira de Cardiologia, explica que o potássio é essencial para o funcionamento do corpo, especialmente do coração. O nível normal varia entre 3,5 e 5 mmol/l.

Quando o potássio no sangue está alto demais, condição chamada hipercalemia, o ritmo do coração pode ser afetado, causando parada cardíaca e risco de morte súbita.

Geralmente, o aumento do potássio está relacionado a doenças específicas, como problemas renais, alterações hormonais, diabetes ou uso incorreto de suplementos, por isso seu manuseio deve ser cuidadoso e controlado em hospitais.

Valéria Leal Pereira, filha de João Clemente, contou que seu pai deu entrada no hospital no dia 4 de novembro, sentindo tontura e dor de cabeça. Ele próprio dirigiu até a unidade, estava consciente e conversando.

Após exames, foi descoberto um coágulo no cérebro, que precisou ser drenado por cirurgia de emergência. A cirurgia ocorreu bem, mas complicações na intubação fizeram com que ele ficasse na UTI até sua morte.

No dia 17 de novembro, após 13 dias hospitalizado, João Clemente sofreu três paradas cardíacas consecutivas sem explicação dos médicos, pois ele não tinha problemas cardíacos conhecidos.

Na madrugada do dia 18, ele não resistiu à quarta parada cardíaca e faleceu. A causa da morte registrada foi infarto, septicemia e hipertensão.

A família descobriu a verdade quando foi chamada ao hospital para uma conversa com a direção. Informaram que um funcionário aplicou uma injeção letal.

As investigações indicaram que o suspeito fraudava o sistema para prescrever remédios de alto risco ilegalmente.

A família acredita que houve falhas nos protocolos do hospital, pois a medicação, que deveria ser checada por dois profissionais da farmácia, foi manuseada por uma técnica que não pertencia à UTI.

“Um hospital deve cuidar da segurança dos pacientes. Nós confiamos nosso pai ao hospital esperando que zelassem por sua saúde, e não que algo assim acontecesse, um crime”, disse a filha.

João Clemente era muito querido pela família, trabalhador e fazia planos para aposentadoria. Deixou esposa, dois filhos e um neto.

A morte abalou a família não só pela perda, mas pelas circunstâncias reveladas semanas depois.

“Ele sempre dizia que queria viajar mais com a família na aposentadoria. Esse sonho foi interrompido por um psicopata”, lamentou a filha.

Agora a família quer que a Polícia Civil faça uma investigação detalhada para identificar todos os envolvidos e falhas que permitiram o crime. Eles buscam não só a punição dos responsáveis, mas também que o hospital responda pelas falhas que custaram a vida do pai.

Os advogados da família destacam erros graves nos protocolos do hospital, especialmente no controle da farmácia em liberar medicamentos controlados, e afirmam que o processo corre em segredo, dificultando o acesso para a defesa.

Eles buscam participar formalmente do processo e produzir provas para entrar com ação civil contra o hospital por negligência e falhas.

O Hospital Anchieta informou que identificou comportamentos suspeitos de funcionários e colaborou com as autoridades policiais após investigação interna.

Em nota, afirmou tratar-se de um ato criminoso isolado, praticado por pessoas que agiram contra a ética, medicina e a lei.

O hospital destaca que possui protocolos rigorosos de segurança, controle e rotinas consolidadas, que permitiram rápida ação e comunicação às autoridades.

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