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Economia

Nobel de Economia alerta sobre utopia na América Latina

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O economista britânico James Robinson, laureado com o Nobel de Economia em 2024 e autor do best-seller Por que as nações fracassam, afirmou ontem durante uma palestra no Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, realizado na Cidade do Panamá, que enxerga uma perspectiva favorável para a região, porém chama a atenção para o problema do clientelismo.

Segundo Robinson, se observarmos a situação geral, há 35 anos a renda per capita na América Latina era cerca de 20% do valor dos Estados Unidos, e hoje esse índice permanece praticamente o mesmo.

Ele destacou a existência do que denominou como “utopismo”, uma disparidade entre o que é idealizado e o que realmente acontece na sociedade, inclusive nas políticas públicas.

Esse descompasso gera o clientelismo, em que os problemas são resolvidos por meio de acordos políticos personalizados, e o Estado promete oferecer serviços e direitos que não consegue cumprir, alimentando uma expectativa irrealista.

Cultura da informalidade

Na sua exposição, o economista também abordou a informalidade econômica, ressaltando a criatividade presente nesse setor. Antes percebido negativamente, como um ambiente de irregularidades e evasão fiscal, ele sugere encarar o setor informal como uma realidade geográfica que coexistiria com o setor formal idealizado na América Latina.

Imigração e convivência social

Robinson comparou o tratamento dado aos imigrantes na Europa e na América Latina, destacando a capacidade desta última em prover segurança social para um grande número de pessoas, apesar de ser um continente menos rico.

Ele citou o exemplo dos três milhões de refugiados venezuelanos na Colômbia, que vivem sem conflitos e com acesso a assistência social, em contraste com a Europa, onde a presença de um milhão de refugiados sírios gerou movimentos anti-imigração vigorosos.

A América Latina, segundo ele, demonstra grande habilidade para a coexistência, respeito mútuo, tolerância e resolução coletiva dos problemas, enquanto os Estados Unidos enfrentam resistência forte contra os 500 mil venezuelanos presentes no país.

Perspectivas para o Brasil

Por fim, destacou o Brasil, reafirmando a ideia de que é realmente um país com grande potencial para o futuro. Ele reconhece que o progresso demanda esforço e, às vezes, erros fazem parte do processo de conquista.

O Fórum Econômico América Latina e Caribe é uma iniciativa do CAF, com suporte em mídia do GLOBO e do Valor Econômico.

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