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Economia

Nobel de Economia lidera rede para apoiar políticas públicas

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Dois ganhadores do Nobel de Economia estiveram em São Paulo para lançar um projeto brasileiro, com sede na Suíça, que visa conectar o conhecimento acadêmico às decisões governamentais.

Financiada pela Fundação Lemann, criada por Jorge Paulo Lemann, esta iniciativa com orçamento de R$ 33 milhões formará uma rede de especialistas que produzirão e utilizarão dados rigorosos para auxiliar políticas públicas em países em desenvolvimento.

Chamada Lemann Initiative, a rede terá sua base na Universidade de Zurique e será liderada pelos laureados Esther Duflo e Abhijit Banerjee, que são casados e docentes do MIT.

No evento de lançamento na Pinacoteca do Estado, os organizadores enfatizaram seu compromisso com a excelência acadêmica, colaboração com políticas públicas e parcerias que fortaleçam o uso de evidências para a formulação de decisões governamentais.

A Fundação busca promover encontros para formar novas lideranças capazes de implementar soluções inovadoras.

Este projeto trabalhará em conjunto com iniciativas já existentes, como o J-PAL e Adept, instituições que colaboram com os diretores da rede.

Banerjee e Duflo receberam o Nobel em 2019 por sua abordagem experimental no combate à pobreza, desenvolvendo uma economia prática focada em questões específicas que podem ser verificadas por testes controlados.

A abordagem focada permitiu a eles avaliar a eficácia de políticas públicas que métodos tradicionais têm dificuldade em analisar.

Banerjee realizou avaliações pioneiras sobre microcrédito, identificando que, embora beneficie pequenos negócios, não é uma solução universal para a pobreza.

Duflo destacou que o desafio principal para aproximar Estado e academia nos países em desenvolvimento não é o acesso ao conhecimento, mas adaptar a academia às realidades políticas.

“Não é só questão da vontade dos formuladores de políticas de usar evidências. Muitos desejam aplicar evidências, pois têm recursos limitados e buscam resultados. O desafio é criar uma cultura onde esses formuladores participem ativamente da pesquisa, entendendo o processo, ao invés de receber apenas pareceres técnicos”, explicou a economista.

Banerjee acrescentou que tanto cientistas quanto governo enfrentam a influência da desinformação, como demonstrado durante a gestão da Covid-19 no Brasil e EUA, onde medidas questionáveis foram adotadas por algumas autoridades.

Ele ressaltou que a mistura de ciência falsa e informações distorcidas afeta parte da população, que recebe dados sem fundamento embalados em linguagem científica.

Os pesquisadores acreditam que envolver os tomadores de decisão na produção do conhecimento pode ajudar a reduzir esta crise, mesmo que não seja o foco principal da nova iniciativa.

Na parceria, a Universidade de Zurique oferecerá a infraestrutura necessária.

“Esperamos criar em Zurique um centro de ensino para capacitar pessoas nos métodos de avaliação de políticas, usando testes controlados e outras técnicas pela plataforma Adept, que combina ensino presencial e remoto para disseminar estas metodologias”, afirmou Duflo.

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