Centro-Oeste
Novo deslizamento de lixo atingiu córrego e contaminou água
Após 160 dias do primeiro deslizamento no aterro sanitário Ouro Verde, localizado em Padre Bernardo (GO), o local voltou a registrar um novo desabamento, que já é o terceiro em menos de 15 dias. Desta vez, o deslizamento de resíduos alcançou o córrego Santa Bárbara.
Esse evento tem impactado a vida de aproximadamente 20 mil moradores de Monte Alto, na região de Padre Bernardo, onde o lixão está situado. Com o recente desabamento afetando o córrego, a comunidade local, principalmente os que residem próximo ao local, está cada vez mais distante de poder utilizar a água do córrego para consumo ou atividades agrícolas. O uso dessa água já estava suspenso desde 19 de junho, devido ao primeiro deslizamento.
Em vídeos gravados por moradores das chácaras próximas, é possível observar que a água do córrego apresenta coloração escura, semelhante a lama, e com resíduos sólidos chegando nas propriedades.
Sensação de abandono
Uma moradora da região, que pediu para não ser identificada, expressou o sentimento geral da comunidade: abandono por parte das autoridades. Segundo ela, o desastre era esperado e reafirmou que já alertavam para a possibilidade de novos desabamentos.
Joana Santana, de 75 anos, relembrou que após os novos deslizamentos, o forte odor do lixo voltou a incomodar sua residência, trazendo também nuvens de moscas que prejudicam a vida cotidiana. A senhora relatou que precisou se ausentar do local devido aos sintomas que o cheiro provocou, como dor de cabeça, náusea e enjoo. Ela citou que tem sido necessário o uso de medicamentos para amenizar os efeitos do mau cheiro, o que tem impactado severamente sua qualidade de vida.
Segundo a Secretaria de Meio Ambiente de Goiás, ainda não há dados definitivos sobre a quantidade de lixo deslizado, mas se sabe que ele bloqueia parcialmente o leito do córrego e é maior do que o deslizamento anterior, avaliado em 3 mil toneladas.
A empresa responsável pelo aterro, Ouro Verde, afirmou que a movimentação de massa ocorreu devido às chuvas intensas dos dias 24 e 25 de novembro. A área afetada já estava isolada e não houve ampliação do perímetro comprometido. Entretanto, moradores contestam essa versão, apresentando fotos que evidenciam a contaminação e espalhamento do lixo na região, incluindo resíduos domésticos e até materiais hospitalares.
A qualidade da água continua sendo monitorada rigorosamente, conforme informado pela Ouro Verde, embora não tenham divulgado o estado atual da água. Importante destacar que o córrego Santa Bárbara não alimenta diretamente o abastecimento do Distrito Federal, mas integra a Bacia Tocantins-Araguaia, o que preocupa devido a possível contaminação na usina Hidrelétrica Serra da Mesa.
Medidas tomadas e acompanhamento
Na época do primeiro deslizamento, a secretária Andréia Vulcanis alertou sobre o agravamento da contaminação com o passar do tempo. Um novo auto de infração está sendo emitido pela Secretaria de Meio Ambiente, direcionado à empresa responsável.
A Ouro Verde reportou que a remoção dos resíduos já foi iniciada e que os materiais serão realocados a uma célula específica criada após o primeiro deslizamento. A área permanece sob monitoramento contínuo por equipes especializadas, embora as ações estejam temporariamente condicionadas às condições climáticas.
A empresa também planeja implementar a instalação de tubulações para aliviar pressão interna com drenagem de gases e chorume, além de obras para estabilização e segurança estrutural do local durante o período chuvoso.
O Ministério Público de Goiás foi notificado e aguarda um relatório técnico da Secretaria de Meio Ambiente para avaliar os impactos e orientar futuras providências. O MP ressaltou que já realizou todas as ações cabíveis dentro de sua competência e que aguarda decisões judiciais referentes a ações propostas para compensação pelos danos ambientais, podendo adotar novas medidas após análise dos documentos técnicos.


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