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Novo México investiga denúncia sobre corpos enterrados no rancho de Epstein

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O Departamento de Justiça do Novo México informou na quarta-feira, dia 18, que está realizando uma apuração a respeito de uma denúncia surgida a partir de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

De acordo com a Reuters, as acusações indicam que o falecido Jeffrey Epstein, conhecido por seus crimes sexuais, teria ordenado o enterro de duas jovens estrangeiras nas proximidades de seu isolado rancho no Novo México, chamado Rancho Zorro.

Conforme informado pela porta-voz do Departamento de Justiça do Novo México, Lauren Rodriguez, o órgão solicitou uma cópia completa de um e-mail de 2019 contendo as alegações para avançar na investigação. Epstein suicidou-se naquele ano enquanto estava detido por acusações relacionadas a tráfico sexual.

O Departamento de Justiça dos EUA não respondeu imediatamente a pedidos de comentário, e o FBI optou por não se pronunciar.

Investigação em andamento

Um grupo bipartidário composto por quatro representantes da câmara estadual está examinando alegações de que o rancho pode ter sido local de abuso sexual e tráfico de pessoas. Os legisladores também buscam entender por que Epstein não foi registrado como agressor sexual após se declarar culpado em 2008 por aliciar uma menor, além de investigar possíveis casos de corrupção envolvendo funcionários públicos.

A deputada estadual democrata Marianna Anaya, de Albuquerque, membro da Comissão da Verdade, solicitou em coletiva de imprensa que pessoas tragam informações sobre abusos ocorridos no rancho associado a Epstein e outros possíveis envolvidos.

“Esse criminoso não teria agido sozinho. Ele não poderia comandar uma rede de prostituição ou cometer crimes financeiros sozinho. Como comissão, acreditamos que cúmplices precisam ser responsabilizados, incluindo o Estado, se necessário”, afirmou Marianna. “Quem quiser compartilhar informações, estaremos disponíveis e garantimos total confidencialidade.”

As revelações relacionadas a Epstein já resultaram na saída ou demissão de várias figuras públicas nos últimos dias.

Epstein adquiriu o extenso rancho no Novo México em 1993, comprado do ex-governador democrata Bruce King. Ele construiu uma mansão de 2.480 metros quadrados no topo de uma colina, com uma pista para pouso de aviões particular.

A propriedade foi vendida em 2023 pelo espólio de Epstein, com os recursos destinados ao pagamento de credores, para a família de Don Huffines, candidato republicano ao cargo de controlador estadual do Texas. Segundo postagem nas redes sociais, a família renomeou o local para Rancho San Rafael, em homenagem a um santo relacionado à cura, e pretende transformá-lo em um retiro cristão.

Huffines afirmou que qualquer solicitação de acesso feita pelas autoridades será atendida com total cooperação.

Epstein tirou a própria vida em uma prisão em Manhattan enquanto aguardava julgamento em 2019, sob acusações de abuso sexual e tráfico de dezenas de meninas menores de idade.

A presidente da Comissão da Verdade e representante estadual de Santa Fé, Andrea Romero, declarou que várias sobreviventes relataram que o tráfico sexual incluía o rancho, localizado cerca de 56 quilômetros ao sul de Santa Fé.

“Há anos ouvimos rumores e acusações sobre as atividades de Epstein aqui. Infelizmente, investigações federais não conseguiram obter registros formais”, disse Andrea. “Essa comissão finalmente pretende preencher as lacunas necessárias.”

Outros membros da comissão incluem o agente aposentado do FBI e deputado estadual republicano William Hall, de Aztec, e a ex-promotora e deputada Andrea Reeb, de Clovis. A criação da comissão foi aprovada unanimemente pelo legislativo estadual em 16 de outubro, contando com poder de intimação e orçamento superior a 2 milhões de dólares.

Embora Epstein nunca tenha sido formalmente acusado no Novo México, o escritório do procurador-geral do estado confirmou em 2019 que investigava o caso e havia entrevistado potenciais vítimas que frequentaram o rancho.

Em 2023, o Procurador-Geral do Novo México, Raúl Torrez, determinou apurações sobre as empresas financeiras associadas a Epstein e suas responsabilidades legais, resultando em acordos com dois bancos que destinam US$ 17 milhões para a prevenção do tráfico de pessoas, conforme informou porta-voz do gabinete.

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