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Novos casos de crime organizado expostos em 2025
Em 2025, ações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) revelaram ramificações inéditas do crime organizado no estado e aprofundaram o conhecimento sobre conexões já investigadas. As investigações indicam que as organizações criminosas têm diversificado e sofisticado suas atividades, estando cada vez mais presentes no setor financeiro.
O Primeiro Comando da Capital (PCC), por exemplo, ampliou seus lucros com o tráfico internacional e passou a usar o sistema bancário como forma de lavar dinheiro ilícito, convertendo quantias bilionárias em recursos legalizados.
Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e autoridades da Receita Federal informaram que fintechs e fundos de investimento substituíram os antigos doleiros, criando um verdadeiro “paraíso fiscal” dentro do país. O uso de contas bolsão e fundos exclusivos dificulta a fiscalização sobre as redes fraudulentas, protegendo contra bloqueios judiciais e limitando o rastreamento do dinheiro.
Além disso, MPSP e PF avançaram na investigação de como o crime organizado usa casas de aposta on-line para lavagem de dinheiro, controla ONGs, extorque moradores de comunidades e planeja ataques contra autoridades.
Em agosto, duas operações, Carbono Oculto (MPSP) e Tank (PF), desmontaram um esquema complexo de fraude, evasão fiscal e lavagem de dinheiro relacionado ao setor de combustíveis, cumprindo centenas de mandados judiciais. O grupo movimentou cerca de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, com importações fraudulentas e sonegação estimada em mais de R$ 8,6 bilhões.
Empresas de fachada e fundos de investimento foram usados para reinserir o dinheiro na economia formal, adquirindo bens como terminais portuários, usinas, caminhões, imóveis e participações em fundos. Os líderes do esquema, Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, teriam ligação com o PCC.
Operações durante o ano também investigaram esquemas ligados a fintechs, como a Operação Hydra, baseada na delação do corretor Vinícius Gritzbach. Essa operação focou em bancos digitais e já havia sido precedida pela Operação Tai-Pan, por delitos financeiros ligados ao PCC.
Em outubro, a Operação Narco Bet desmantelou esquema em que o PCC usava casas de apostas para lavar dinheiro do tráfico internacional. O influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, “Buzeira da Roleta”, dono de apostas, recebeu quase R$ 20 milhões de um empresário ligado ao envio de cocaína para a Europa. Suspeita-se que o PCC tenha financiado a regularização dessas casas junto à Receita Federal.
Em janeiro de 2025, o MPSP prendeu membros da ONG Pacto Social Carcerário, considerada braço do PCC. A ONG servia para simular violações de direitos em presídios e promover manifestações coordenadas pela facção. Entre os envolvidos estão Luciene Neves Ferreira e Geraldo Sales da Costa, além de advogados. A ONG seria financiada pela facção e atuava também contratando profissionais de saúde para atender lideranças criminosas.
Em setembro, a Operação Sharpe revelou um esquema do PCC para cobrar propina de moradores da Favela do Moinho, que fizeram acordo para desocupar imóveis. A cobrança, de até R$ 100 mil, era liderada por Alessandra Moja, irmã de Leonardo Moja, o “Leo do Moinho”, responsável pelo tráfico na Cracolândia. O dinheiro passa por empresas de sucata para lavagem.
Também foram reveladas estratégias do PCC para abastecer a Cracolândia usando carroceiros para transportar drogas até pontos de venda.
Em outubro, foi desarticulado mais um plano de execução contra o promotor Lincoln Gakiya, principal investigador do PCC, e o coordenador de presídios Roberto Medina. A facção chegou a alugar uma casa próxima da residência de Gakiya e usou drones para monitorar sua rotina.
A prisão de Vitor Hugo da Silva, conhecido como “VH”, em flagrante por tráfico, possibilitou descobrir fotos, vídeos e mensagens monitorando os alvos. Suspeitos como Wellison “Corinthinha” e Sérgio “Messi” trocavam informações detalhadas, incluindo trajetos diários de Lincoln Gakiya.

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