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Número de mortes na guerra no Irã ainda é desconhecido

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O Irã não divulga dados atualizados sobre o número de mortos na guerra desde o início do mês, e grupos de direitos humanos fora do país enfrentam dificuldades de comunicação, fazendo com que o total de vítimas fatais continue incerto.

A última atualização oficial do Ministério da Saúde iraniano, divulgada em 8 de março, no nono dia do conflito, informou que cerca de 1.200 civis morreram em ataques aéreos dos Estados Unidos e Israel em todo o Irã.

Organizações internacionais de direitos humanos são consideradas fontes confiáveis para informações sobre o Irã, onde há forte censura governamental.

Com o bloqueio da internet e interrupção das linhas telefônicas, essas organizações têm dificuldade em manter contato com seus informantes locais, que são essenciais para obter dados no local dos acontecimentos.

A Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos EUA e conhecida por seu papel na confirmação do número de mortos nos protestos antigovernamentais de janeiro, estima que 1.407 civis foram mortos, incluindo 214 crianças.

Skylar Thompson, vice-diretora da HRANA, afirmou à AFP: “Eu diria que este número é um mínimo absoluto, pois não temos capacidade de estar em todos os lugares simultaneamente, dada a magnitude dos eventos”.

Ela acrescentou que, devido à rapidez e escala dos ataques em todo o país, é impossível documentar as vítimas com a mesma velocidade.

O Crescente Vermelho do Irã não divulga informações sobre mortos, mas aponta que danos materiais incluem 61.555 residências, 19.000 estabelecimentos comerciais, 275 unidades de saúde e quase 500 escolas afetadas.

Jornalistas da AFP confirmaram danos em vários prédios residenciais em Teerã, causados por explosões e bombardeios, mas não receberam permissão para viajar a outras áreas do país.

A situação da comunicação

Grupos de direitos humanos desconfiaram dos números oficiais iranianos, especialmente após a repressão dos protestos antigovernamentais de janeiro. Embora o Irã tenha reconhecido cerca de 3.000 mortes, a maioria de agentes de segurança, estimativas independentes indicam entre 7.000 e 35.000 vítimas devido a disparos indiscriminados.

Awyar Shekhi, do grupo Hengaw na Noruega, afirmou que o governo iraniano tem histórico de não coletar ou divulgar dados oficiais confiáveis.

Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o bloqueio quase total da internet dificulta a obtenção de informações precisas sobre as vítimas, conforme informou Shekhi.

Ela destacou que trabalhadores da informação enfrentam ameaças e prisões pelas autoridades iranianas, às vezes sendo acusados de espionagem por compartilhar dados com o exterior.

Além disso, chamadas telefônicas internacionais para o Irã tornaram-se quase impossíveis.

Impacto nas civis

A maior tragédia civil até agora foi o bombardeio de uma escola primária em Minab, que matou pelo menos 165 pessoas no primeiro dia da guerra, segundo dados oficiais.

Este ataque ocorreu devido a um erro nas coordenadas usadas por um míssil Tomahawk americano, conforme investigação publicada pelo The New York Times.

O grupo Hengaw também documentou um ataque a uma fábrica de farinha em Naqadeh em 7 de março, que resultou em 11 trabalhadores mortos e 21 feridos.

Skylar Thompson acredita que os Estados Unidos e Israel estão adotando uma interpretação agressiva do que constitui alvos militares.

Diferentemente dos protestos de janeiro, a mídia ocidental tem dado pouca atenção ao sofrimento da população comum iraniana durante a guerra.

Thompson destacou a importância de focar nas consequências humanitárias para os civis em meio às tensões geopolíticas.

Outros conflitos na região

No Líbano, o Ministério da Saúde informou que ataques israelenses causaram 1.029 mortes.

Em Israel, 16 civis foram mortos por ataques relacionados ao Irã, enquanto 17 civis perderam a vida em países do Golfo, conforme autoridades locais e serviços de emergência.

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