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Economia

OCDE: conflito no Irã terá forte impacto na economia mundial e alta inflação nos EUA

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A guerra no Irã causará um duplo impacto negativo na economia global, desacelerando o crescimento e elevando a inflação, alertou recentemente a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne 38 países.

Nos Estados Unidos, o efeito no custo de vida será mais severo, com a inflação projetada para 4,2% neste ano, acima dos 3% previstos em dezembro pela OCDE.

Para os países do G-20, a inflação média deve atingir 4%, superando a estimativa anterior de 2,8%.

As revisões para baixo no crescimento econômico foram menos pronunciadas no curto prazo, em parte porque a economia global apresentou um desempenho inicial melhor do que o esperado antes do conflito.

A OCDE afirmou que, na ausência da guerra, a previsão de crescimento global para 2026 poderia ter sido ajustada para cima em 0,3 ponto percentual. Em vez disso, manteve a projeção em 2,9% e reduziu a estimativa para 2027 em 0,1 ponto, para 3%.

“A extensão e duração do conflito são incertas, mas um período prolongado de preços elevados da energia elevará significativamente os custos empresariais e a inflação ao consumidor, prejudicando o crescimento”, destacou a OCDE.

Para o Brasil, a inflação estimada para este ano é de 4,1%, inferior à dos Estados Unidos, com projeção estável em relação a dezembro. O crescimento do PIB brasileiro está previsto em 1,5%, ligeiramente abaixo da projeção anterior de 1,7%.

A OCDE é a primeira grande instituição econômica internacional a atualizar formalmente suas estimativas, destacando que indicadores como pesquisas empresariais já indicam uma desaceleração global sincronizada com aumento dos preços.

Também foi alertado um “risco significativo de queda” nas projeções devido a possíveis novas interrupções nas exportações do Oriente Médio, o que poderia causar mais inflação, menor crescimento e volatilidade nos mercados financeiros.

Esse cenário negativo ocorre quando a economia mundial estava crescendo, apoiada em investimentos em inteligência artificial, redução de tarifas nos EUA e políticas monetárias e fiscais favoráveis.

A OCDE prevê que as taxas de juros básicas permaneçam estáveis em 2026 nos Estados Unidos e Reino Unido, enquanto o Banco Central Europeu deve elevar os juros no segundo trimestre para controlar a inflação.

“Os bancos centrais devem manter vigilância constante para garantir que as expectativas inflacionárias permaneçam bem ancoradas”, recomendou a OCDE.

A organização também pediu que governos com altos níveis de dívida pública evitem subsídios amplos, optando por medidas que atenuem o impacto dos preços elevados da energia de forma direcionada, preservem incentivo à redução do consumo e contenham mecanismos claros para encerrar os auxílios.

Além disso, alertou para a dificuldade no fornecimento de fertilizantes, uma vez que o Oriente Médio é um importante produtor desses insumos agrícolas.

O relatório destaca que o conflito pode prejudicar cadeias globais de suprimentos, especialmente de fertilizantes, pois países do Golfo Pérsico respondem por uma parcela significativa das exportações mundiais de ureia, fosfato diamônico e amônia anidra em 2024.

O gás natural liquefeito também é essencial para fertilizantes nitrogenados, e os países da região produzem cerca de metade do enxofre usado tanto em fertilizantes quanto em produtos industriais.

Se essa situação perdurar, haverá impacto negativo na produtividade das culturas e no preço global dos alimentos em 2027. Países como Brasil, Índia, Austrália e África do Sul dependem consideravelmente desses insumos oriundos do Oriente Médio.

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