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Economia

ONG Afetos traz água, moradia e autonomia para o Sertão

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Em cada canto de Pernambuco − mesmo nos lugares que parecem esquecidos − a vida pulsa forte. No Sertão do Moxotó, a mais de 300 quilômetros do Recife, famílias levantam antes do amanhecer, enfrentam a falta de recursos e transformam a terra seca em fonte de sustento. É nesse contexto, no Sítio Barro Branco, na zona rural de Ibimirim, que a ONG Afetos decidiu estabelecer sua base e crescer.

Formada oficialmente em 2021, a Afetos surgiu do empenho de mulheres que já desenvolviam ações sociais juntas e, durante a pandemia, chegaram ao Sertão. Essa vivência na comunidade marcou o início de uma atuação constante.

“Conhecemos a comunidade do Sítio Barro Branco e decidimos ajudar essas pessoas. A partir desse ponto, fundamos formalmente a Afetos e começamos a executar projetos estruturantes”, declara Cecília Dubeux, uma das criadoras da organização.

O primeiro contato aconteceu com a entrega de uma casa para uma família apadrinhada pelo grupo. O que parecia ser uma ação isolada virou um compromisso de longo prazo. “Ao chegar, percebemos que o IDH de Ibimirim era um dos menores, cerca de 0,55 na época. As famílias viviam com uma renda mensal em torno de R$ 400, proveniente do Bolsa Família. Entendemos que não bastava uma ação pontual”, relembra.

Início da transformação

Para a Afetos, a mudança começa pela segurança do acesso à água. A ideia é fundamental: água gera saúde; saúde permite educação; educação impulsiona a renda; renda garante autonomia. “Nosso foco sempre foi melhorar a qualidade de vida e a dignidade humana por meio do acesso à água. Sem estrutura, não há autonomia, apenas sobrevivência”, ressalta Cecília.

De 2021 a 2025, por meio do projeto Construir com Afeto, nove cisternas, oito banheiros e quatro casas foram entregues à comunidade. Uma moradora recebeu um sistema de aquaponia adaptado ao semiárido, que une baixo consumo de água, produção de alimentos e geração de renda.

Além da infraestrutura, os trabalhos se organizam em eixos baseados na escuta do território: saúde mental para jovens e mulheres; incentivo à agroecologia, culinária, costura, pesca e apicultura; além de oficinas culturais e de tecnologia.

Reflorestamento da Caatinga

Para combater a desertificação, a Afetos aposta no reflorestamento da Caatinga. “Queremos que as pessoas do semiárido permaneçam em seus territórios com qualidade de vida, com água e uma Caatinga viva e produtiva”, explica.

Em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), a ONG assinou o programa Plantar Juntos, com o objetivo de plantar 420 mudas até o fim do ano. Apesar dos desafios causados pela seca, buscam alternativas para alcançar a meta.

Desafios enfrentados

Sob a liderança da presidente Cecília Dubeux e da diretora executiva Suzana Alves, a Afetos se define como uma catalisadora de inovação social. “É um trabalho autêntico que nasce do interesse genuíno pelo outro. Trazer necessidades básicas é vital, mas o mais importante é criar um território sustentável, onde a comunidade participe e faça acontecer”, destaca Cecília.

Entre os principais desafios estão a captação de recursos e a logística. “Nossa base de doadores ainda é pessoa física. Agora buscamos empresas. A logística pesa, pois a comunidade fica a seis horas do Recife”, explica.

Para expandir o impacto, a ONG tem firmado parcerias com negócios que destinam parte da renda de produtos à Afetos, como coleções temáticas, restaurantes e produtos regionais.

Modelo de atuação

Com metas definidas, como ampliar o número de cisternas, casas e atendimentos em saúde mental, a Afetos pretende ir além do Sítio Barro Branco. A intenção é transformar essa experiência em um modelo replicável para outras comunidades do Sertão pernambucano até 2030.

“Transformações duradouras requerem investimento responsável, presença constante e visão de futuro. Queremos promover autonomia socioambiental real em Barro Branco, e que essa experiência inspire outras comunidades”, afirma Cecília.

Para ela, o compromisso é também uma questão ética. “É assim que criamos caminhos verdadeiros para que nenhuma família tenha que escolher entre sobreviver e viver com dignidade. Quando compreendemos isso, não há neutralidade. Ou ignoramos, ou agimos”, conclui a idealizadora.

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