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ONU alerta: quase 5 milhões de crianças menores de 5 anos morrem em 2024

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De acordo com um relatório global do Grupo Interagencial das Organizações das Nações Unidas para Estimativas de Mortalidade Infantil (UN IGME), divulgado em 17 de abril de 2025, aproximadamente 4,9 milhões de crianças com menos de cinco anos morreram em 2024. A maioria dessas fatalidades poderia ter sido evitada ou tratada com recursos simples e de baixo custo.

Muito preocupante é o fato de que cerca de 2,3 milhões dessas mortes ocorreram no período neonatal, principalmente devido à prematuridade (36%) e complicações no parto (21%). Infecções como sepse neonatal e anomalias congênitas também foram fatores relevantes.

O relatório, intitulado “Níveis e Tendências da Mortalidade Infantil” e realizado em parceria com instituições como o Banco Mundial, Organização Mundial da Saúde e o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, evidencia que as fatalidades infantis mantêm alta concentração geográfica.

Em 2024, a África Subsaariana concentrou 58% das mortes de crianças pequenas, com nove doenças infecciosas principais, incluindo pneumonia, malária, diarreia e tuberculose, respondendo por 54% dos óbitos. O Sul da Ásia, que representou 25% das mortes, teve como principais causas complicações neonatais, como parto prematuro e asfixia.

“Essas condições amplamente preveníveis ressaltam a necessidade urgente de investir em cuidados pré-natais adequados, profissionais de saúde capacitados, e serviços essenciais de saúde neonatal”, destaca o documento.

Regiões como Europa e América do Norte registraram apenas 9% das mortes infantis, enquanto Austrália e Nova Zelândia, 6%, refletindo desigualdade no acesso a intervenções salva-vidas.

Países em situação de conflito enfrentam um risco muito maior, com crianças nessas áreas tendo quase três vezes mais chance de morrer antes dos cinco anos do que em outras regiões.

Embora a mortalidade infantil tenha sido reduzida pela metade desde 2000, a desaceleração no progresso desde 2015 é preocupante. Se as tendências atuais continuarem, estimam-se 27,3 milhões de mortes infantis entre 2025 e 2030, com 13 milhões no período neonatal.

O relatório ressalta que os esforços para combater a mortalidade infantil devem ser intensificados, especialmente nas regiões mais afetadas, incluindo a África Subsaariana e o Sul da Ásia, onde desafios como pobreza, conflitos e sistemas de saúde frágeis persistem.

No Brasil, avanços significativos foram observados. Conforme dados do Unicef, políticas públicas implementadas nas últimas décadas reduziram as mortes evitáveis de crianças. A mortalidade neonatal caiu de 25 para 7 por mil nascidos vivos entre 1990 e 2024, enquanto a mortalidade em menores de cinco anos reduziu de 63 para 14,2 por mil no mesmo período.

Programas como o Programa Saúde da Família, Agentes Comunitários de Saúde e a Política Nacional de Atenção Básica foram cruciais para esses avanços, apoiados tanto pela sociedade brasileira quanto por entidades internacionais.

Luciana Phebo, chefe de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil, enfatiza: “Estamos falando de milhares de crianças que hoje podem crescer e se desenvolver com saúde graças a esses investimentos. É essencial manter e ampliar esses progressos, alcançando todas as regiões.”

Apesar das melhorias, o Brasil também mostra desaceleração na redução da mortalidade infantil na última década, espelhando a tendência global.

Além disso, em 2024, aproximadamente 2,1 milhões de crianças, adolescentes e jovens entre 5 e 24 anos morreram mundialmente. Doenças infecciosas e acidentes são as principais causas de morte em jovens, com diferenças entre gêneros e regiões.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecem metas para reduzir a mortalidade infantil até 2030, porém, muitos países correm risco de não alcançar esses objetivos, o que pode resultar em milhões de mortes evitáveis.

O Unicef destaca que investimentos em saúde infantil são altamente eficazes em termos de custo-benefício. Intervenções simples como vacinação, tratamento da desnutrição e atendimento qualificado durante gestação e parto trazem grandes retornos sociais e econômicos.

Cada dólar investido na sobrevivência infantil pode gerar até vinte dólares em benefícios sociais.

Para melhorar esse cenário, a ONU recomenda que governos e parceiros priorizem recursos para serviços de saúde de qualidade, com foco nos locais de maior risco, especialmente em regiões vulneráveis e em conflito, ampliando o acesso a cuidados primários de saúde.

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