Mundo
ONU diz que Israel pratica segregação na Cisjordânia
A ONU afirmou nesta quarta-feira (7) que Israel intensificou a discriminação e a segregação contra os palestinos na Cisjordânia, pedindo o fim desse chamado ‘sistema de apartheid’.
Em um relatório recente, o escritório de direitos humanos da ONU apontou que a discriminação sistemática contra os palestinos nos territórios ocupados piorou significativamente nos últimos anos.
Volker Türk, chefe do escritório, declarou em comunicado: ‘Os direitos dos palestinos na Cisjordânia estão sendo sufocados sistematicamente.’
Ele explicou que o acesso à água, escolas, hospitais, visitas a familiares e até a colheita de azeitonas estão todos restritos por leis, políticas e práticas israelenses discriminatórias.
Segundo Türk, essa discriminação e segregação racial é especialmente grave e lembra o sistema de apartheid já conhecido.
O comunicado indica que as autoridades israelenses aplicam dois sistemas jurídicos e políticos distintos na Cisjordânia: um para colonos israelenses e outro para os palestinos, gerando tratamento desigual.
Os palestinos enfrentam confisco massivo de terras, privação de recursos e julgamentos em tribunais militares que frequentemente violam seus direitos legais.
Türk exige que Israel revogue todas as leis, políticas e práticas que mantêm essa discriminação sistêmica baseada em raça, religião ou origem étnica.
A ONU também destaca que a violência dos colonos palestinos, frequentemente com conivência ou apoio das forças de segurança israelenses, agravou ainda mais essa situação.
Mais de 500 mil israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia, ocupada desde 1967. A violência no local aumentou após o ataque do movimento islamista palestino Hamas em Israel, no dia 7 de outubro de 2023, desencadeando a guerra em Gaza.
Desde o início do conflito, mais de mil palestinos foram mortos por tropas e colonos israelenses na Cisjordânia, conforme dados do Ministério da Saúde palestino. Por outro lado, pelo menos 44 israelenses morreram em ataques palestinos ou operações militares israelenses.
Com a guerra em Gaza, as autoridades israelenses intensificaram o uso ilegal da força, detenções arbitrárias e tortura, segundo o comunicado da ONU.
O documento também aponta aumento dos assentamentos e mortes de palestinos, que acontecem praticamente sem punição.
A ONU encontrou indícios suficientes para acreditar que essa segregação e subordinação visam a se estabelecer de forma definitiva.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login