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ONU tem dúvidas sobre eficácia da lei de anistia na Venezuela
Uma missão da ONU sobre a Venezuela expressou nesta quinta-feira (12), em Genebra, preocupações significativas em relação à lei de anistia recentemente aprovada no país, considerando-a insuficiente e pouco clara.
A equipe encarregada de investigar os fatos, nomeada desde 2019 pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, embora não fale oficialmente em nome da organização, compartilhou suas apreensões.
“Primeiramente, a lei foi aprovada de forma apressada, o que impediu um processo aberto e inclusivo”, declarou María Eloísa Quintero, integrante da missão.
Além disso, destacou-se que a legislação não responsabiliza o Estado pela transparência em questões de direitos humanos.
“A lei não prevê processos transparentes e completos, nem investigações independentes, tampouco mecanismos para buscar a verdade”, afirmou a missão.
Eles também criticaram a limitação arbitrária da aplicação da lei, que exclui muitos presos relacionados a outros atos de detenção.
Na sessão do Conselho realizada na quinta-feira, uma dezena de ex-presos políticos estrangeiros compareceram, usando roupas azul-claro semelhantes às que eram usadas nas prisões de Rodeo 1, próximo a Caracas.
A organização Foro Penal relata que atualmente 508 pessoas estão presas por motivos políticos na Venezuela, incluindo estrangeiros e menores.
“A situação permanece inalterada na Venezuela; a repressão e a crise humanitária continuam intactas”, lamentou Olnar Ortiz, um dos coordenadores da ONG, que hoje está como refugiado político na Suíça.
Esta legislação, promulgada em 19 de fevereiro, visa possibilitar a libertação de presos políticos.
Desde o início de janeiro, várias centenas de detidos por motivos políticos foram libertados na Venezuela, com cerca de cem beneficiados pela anistia, conforme dados do Foro Penal.

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