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Operação que eliminou El Mencho, chefe do cartel mexicano

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A localização de uma pessoa próxima a uma das companheiras do narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, permitiu que as autoridades mexicanas realizassem uma ação para capturar o criminoso. El Mencho comandava um dos maiores cartéis do país e era procurado internacionalmente.

Com apoio de informações de inteligência dos Estados Unidos, os militares mexicanos conseguiram encontrar El Mencho em uma vila no estado de Jalisco, onde ele liderava seu império por meio do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG).

El Mencho foi morto durante a operação realizada no domingo (22). Sua morte provocou uma série de ataques e represálias que resultaram em várias mortes, bloqueios de estradas, incêndios em veículos, ataques a prédios públicos e privados, além de emboscadas contra autoridades.

Na manhã seguinte à violência, o México amanheceu tranquilo, sem novos distúrbios, conforme informou a presidenta Cláudia Sheinbaum. Ela garantiu a estabilidade do país em entrevista coletiva.

“Manifestamos nossos sentimentos às famílias dos militares que perderam suas vidas e nosso mais profundo respeito. O povo mexicano deve se orgulhar de suas Forças Armadas e do gabinete de segurança”, disse a presidenta.

No dia anterior, foram registrados 252 bloqueios em 20 dos 31 estados mexicanos. As ações violentas deixaram 27 agentes do estado mortos e 30 suspeitos vinculados ao cartel CJNG mortos, segundo o Gabinete de Segurança do México. O cartel teria oferecido recompensas pela morte de militares.

O Cartel de Jalisco é recente, em ascensão desde os anos 2010, e consolidou-se como uma das organizações criminosas mais fortes do México, segundo a advogada especializada em políticas de drogas Gabriela de Luca.

“O principal adversário do CJNG é o Cartel de Sinaloa, com quem disputa rotas e territórios, sendo esta rivalidade uma das principais causas da violência recente no país”, explicou a especialista.

A operação

A inteligência mexicana conseguiu interceptar uma pessoa próxima de uma das companheiras de El Mencho, conforme relatado pelo secretário de Defesa Nacional, general Ricardo Trevilla.

“No dia 20 de fevereiro, um associado próximo a uma das parceiras amorosas de El Mencho foi localizado, levando-a a uma instalação em Tapalpa, Jalisco”, afirmou o general.

Nesse local, no sábado (21), El Mencho estava reunido com seu círculo íntimo. No domingo, a operação para prendê-lo foi deflagrada.

Forças especiais do Exército, Aeronáutica e Guarda Nacional foram mobilizadas, contando com seis helicópteros e aviões modelo Texan. Durante o cerco, os seguranças de El Mencho abriram fogo, possibilitando sua fuga.

El Mencho escapou deixando para trás um grupo armado; o ataque foi violento e os militares repeliram a ação”, disse o general.

Os suspeitos possuíam armamento pesado, como fuzis, granadas e lançadores de foguetes. Ele e seus guarda-costas fugiram para uma área com vegetação próxima.

Os militares estabeleceram cerco e encontraram El Mencho escondido, ainda com vida. Na sequência, houve mais tiroteios, com um helicóptero precisando pousar de emergência após ser atingido.

As forças especiais responderam ao ataque, deixando El Mencho e seus guarda-costas gravemente feridos. Ele foi levado para um hospital, mas não resistiu e faleceu durante o transporte, informou o general.

As trocas de tiros resultaram na morte de 15 suspeitos do CJNG, e três militares ficaram feridos. O general destacou que a operação demonstrou a força do Estado mexicano.

Desde 2016, El Mencho estava na lista dos mais procurados nos EUA, com recompensa de US$ 15 milhões por informações sobre sua captura. No México, a recompensa era de 30 milhões de pesos.

Cooperação dos EUA

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, comentou a operação destacando o papel dos EUA na troca de informações que levou à localização do chefe do cartel, classificado como organização terrorista pelo governo americano anterior.

El Mencho era um alvo prioritário para o México e os EUA, sendo um importante traficante de fentanil. Agradecemos às Forças Armadas mexicanas pela cooperação e sucesso da missão”, afirmou.

A presidenta Cláudia Sheinbaum ressaltou que a participação dos EUA foi limitada à troca de informações, e que as operações são conduzidas pelas forças federais mexicanas.

O general Ricardo Trevilla explicou que a inteligência inicial veio do México, complementada por dados importantes dos EUA, que permitiram identificar a localização exata de El Mencho.

O Cartel de Jalisco

Gabriela de Luca informou que o Cartel de Jalisco possui grande poder armado, controle de rotas estratégicas e protagonismo na produção e exportação de drogas sintéticas.

Para ela, a morte de El Mencho pode causar instabilidade e disputas internas no curto prazo, aumentando a violência local no médio prazo.

“É provável que não haja redução imediata no tráfico, mas sim uma redistribuição do poder entre os cartéis, com o Cartel de Sinaloa e outros tentando ocupar espaços deixados vacantes”, concluiu a especialista.

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