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Oxford recebe exemplar pessoal do autor de Alice após 100 anos

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Há pouco mais de cem anos, uma das faculdades mais tradicionais da Universidade de Oxford, chamada Christ Church, teve seu exemplar da primeira edição de Alice no País das Maravilhas furtado. Este volume fazia parte da sala dos professores seniores e acabou jamais sendo recuperado, criando uma lacuna no acervo literário da instituição.

Agora, essa lacuna começa a ser preenchida de forma notável. A Christ Church e as Bibliotecas Bodleianas receberam como doação o exemplar pessoal de Lewis Carroll da primeira edição limitada da obra, lançada em 1865. Este livro, considerado por especialistas como o mais relevante ainda existente, foi doado pela filantropa americana e amante de livros Ellen A. Michelson, conforme noticiado pelo The Times e Artnet News em dezembro.

Batizado como “A Alice de Michelson”, este volume nunca tinha sido exposto ao público no Reino Unido. A partir da metade de janeiro, ele ficará disponível para visitação no espaço destinado aos visitantes das Bibliotecas Bodleianas e, posteriormente, fará parte da exposição “Animais de Estimação e Seus Donos”, que investiga a relação entre humanos e animais ao longo da história.

Exemplar único na trajetória de Alice

Este livro é especial por conter anotações manuscritas de Carroll e dez esboços a lápis originais de Sir John Tenniel, o ilustrador da obra. Dos 42 desenhos feitos para a primeira edição, apenas 31 eram conhecidos até agora, o que torna este conjunto extremamente valioso para estudos acadêmicos e para a história do livro.

A primeira edição de Alice tem uma história singular. Dos aproximadamente 2.000 exemplares produzidos, Tenniel considerou a qualidade da impressão vergonhosa e pediu a retirada da edição do mercado pouco tempo após seu lançamento. A maioria foi destruída, embora Carroll já tivesse guardado 50 cópias para presentear amigos; atualmente, apenas 23 exemplares sobrevivem.

A conexão entre a obra e a Christ Church é profunda. Charles Lutwidge Dodgson, nome verdadeiro de Carroll, estudou, lecionou e trabalhou como bibliotecário assistente na faculdade entre 1855 e 1881. Foi também nesta instituição que manteve relação próxima com o então reitor Henry Liddell e seus familiares, sendo a filha Alice a inspiração para a personagem do livro após um passeio de barco em 1862.

Em entrevista à Artnet News, a reitora da Christ Church, Sarah Foot, ressaltou o significativo valor simbólico do retorno do livro a Oxford. Ela acredita que Carroll ficaria satisfeito ao saber que este exemplar histórico, contendo seus pensamentos e reflexões originais, está agora em seu lugar de origem, além de esperar que a obra sirva de inspiração para futuras gerações de estudiosos e escritores.

O bibliotecário da Christ Church, Gabriel Sewell, declarou ao The Times que este é “o exemplar mais especial e melhor preservado entre os existentes”, destacando seu estado de conservação e a sua origem como sinais de sua singularidade.

Estimado em vários milhões de libras, o livro retorna exatamente cem anos após o desaparecimento do exemplar original da faculdade, encerrando um capítulo histórico com uma doação sem precedentes para o patrimônio literário do Reino Unido.

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