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Países liberam reservas de petróleo para conter impacto da guerra no Irã

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A coalizão de 32 países que compõem a Agência Internacional de Energia (AIE) decidiu de forma unânime liberar 400 milhões de barris de suas reservas emergenciais de petróleo com o intuito de tentar estabilizar os preços dos combustíveis.

Fatih Birol, diretor-executivo da AIE, explicou que a medida tem como objetivo reduzir os efeitos imediatos das perturbações causadas pela guerra no Irã nos mercados globais.

Este é o maior volume de reservas emergenciais já liberado na história da agência. Os 400 milhões de barris estarão disponíveis para compensar a oferta perdida devido ao fechamento efetivo do Estreito de Ormuz.

Apesar desta iniciativa, o preço do barril de petróleo Brent subiu aproximadamente 4% em 11 de abril, mantendo-se cerca de 30% acima dos valores anteriores ao conflito. O aumento ocorre como consequência do bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, que respondeu às ações dos Estados Unidos e Israel contra Teerã.

Estima-se que diariamente cerca de 20 milhões de barris de petróleo ou derivados passem pelo Estreito de Ormuz, o que representa uma quota significativa do comércio mundial de hidrocarbonetos.

Ticiana Álvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), destacou que a liberação das reservas pode ter um efeito temporário para minimizar os impactos do conflito, mas se as tensões se prolongarem, o mercado global de petróleo e gás pode enfrentar desafios maiores a longo prazo.

A quantidade liberada pela AIE equivale a 20 dias do fluxo habitual pelo Estreito de Ormuz e corresponde a aproximadamente um terço das reservas totais da agência. No entanto, a liberação será feita conforme as circunstâncias específicas de cada país membro, sem um prazo definido para disponibilização integral.

A AIE é composta principalmente por países europeus, com a participação das Américas representada por Canadá, México, Chile e Estados Unidos.

Preocupação com o Gás Natural

Além do petróleo, o fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) também está sob pressão. A agência alerta para as dificuldades em substituir o GNL que deixou de ser enviado pelo Catar e Emirados Árabes Unidos.

Fatih Birol ressaltou que o fornecimento global de energia caiu cerca de 20%, com a Ásia sendo a região mais afetada. Países asiáticos de alta renda competem fortemente com a Europa e outros importadores por cargas de GNL disponíveis.

Tensão no Estreito de Ormuz

O Irã voltou a ameaçar navios que transitam pelo Estreito de Ormuz, especialmente aqueles que possam beneficiar os Estados Unidos, Israel ou seus aliados. A Guarda Revolucionária Islâmica declarou que não permitirá a passagem de petróleo que favoreça esses países.

Recentemente, o Irã informou que atingiu dois navios — um israelense e outro com bandeira da Libéria — que tentaram cruzar o Estreito sem autorização.

Ações do G7

O presidente da França, Emmanuel Macron, convocou uma reunião dos países do G7 para debater as consequências da crise energética provocada pela guerra no Irã. O G7 é formado pelos Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, Reino Unido, Alemanha e França.

Nos Estados Unidos, com o aumento dos preços dos combustíveis, o valor nas bombas subiu 60 centavos por galão, alcançando US$ 3,50, o maior patamar desde maio de 2024, conforme divulgado pela Reuters.

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