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Papa visita Argélia pela primeira vez

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Papa Leão XIV chegou à Argélia nesta segunda-feira (13) para uma visita inédita e cheia de significado: nenhum pontífice havia visitado antes este país de maioria muçulmana, conhecido como a terra natal de Santo Agostinho.

O pontífice ficará no país por dois dias, buscando fortalecer os laços entre o cristianismo e o islamismo, conforme afirmou o arcebispo de Argel, cardeal Jean-Paul Vesco, à AFP.

Na capital, Argel, Papa Leão XIV foi recebido com honras oficiais e sob chuva pelo presidente Abdelmadjid Tebboune. Durante cerimônia em frente ao monumento aos mártires que homenageia os mortos na guerra de independência contra a França (1954-1962), o papa pediu perdão, ressaltando que a verdadeira paz só é alcançada por meio do perdão, permitindo enfrentar o futuro com o coração reconciliado.

Esta viagem tem forte um significado pessoal para Papa Leão XIV, que segue os passos de Santo Agostinho, um importante pensador cristão do século IV, cuja influência é visível no pontificado atual.

Contexto tenso

Em meio a um cenário internacional marcado pela guerra no Oriente Médio, a mensagem central do papa na Argélia não será a coexistência pacífica, já que o país de 47 milhões de habitantes é oficialmente sunita.

Recentemente, o papa foi alvo de críticas do ex-presidente americano Donald Trump, que o classificou como liberal demais e questionou sua postura sobre dissuasão do crime. Papa Leão XIV respondeu que não pretende entrar em debates políticos, ressaltando que não é um político.

Em apoio ao pontífice, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, de direita e próxima a Trump, desejou uma viagem proveitosa, destacando a importância da atuação do papa para a resolução de conflitos.

Na tarde desta segunda-feira, Papa Leão XIV visitará a Grande Mesquita, que tem o maior minarete do mundo (267 metros), e depois a Basílica de Nossa Senhora da África, na baía de Argel.

Durante uma celebração inter-religiosa com a presença de cristãos e muçulmanos, ele fará um apelo pela fraternidade neste país onde os católicos representam menos de 0,01% da população.

Esta visita marca o início da primeira grande viagem internacional do pontífice de 70 anos, que também passará por Camarões, Angola e Guiné Equatorial, em uma maratona de 18.000 milhas, de 13 a 23 de abril.

Argel em transformação

Para a chegada do papa, a cidade de Argel passou por reformas, como pinturas nos muros, melhorias nas ruas e áreas verdes.

Não há previsão de grandes cerimônias com multidões, e o papamóvel permanecerá no aeroporto, conforme informado pelo site Casbah Tribune.

Papa Leão XIV rezará de forma privada na capela dos 19 mártires da Argélia, sacerdotes e religiosos assassinados durante a guerra civil (1992-2002), símbolo do alto custo que o compromisso religioso com o diálogo exige.

Não está prevista visita ao mosteiro de Tibhirine, onde monges foram sequestrados e mortos em 1996, um episódio ainda envolto em mistérios.

Na próxima etapa, ele viajará para Annaba, no leste do país, perto da fronteira com a Tunísia, antiga Hipona, onde Santo Agostinho foi bispo.

No primeiro discurso como papa, foi chamado de “filho de Santo Agostinho”, referindo-se à ordem que fundou sua espiritualidade.

Antes de se tornar papa, Robert Francis Prevost visitou a Argélia duas vezes como líder dessa ordem, fundada no século XIII e inspirada na vida comunitária.

Em Annaba, visitará as ruínas arqueológicas de Hipona, onde ainda há vestígios da antiga cidade romana e cristã, e celebrará missa na basílica local.

Papa Leão XIV se apresenta como um irmão visitando seus irmãos em um país onde a comunidade cristã é pequena, mas com presença histórica, destacando o papel do monsenhor Vesco.

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