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Papa visita Mônaco em breve viagem cheia de contrastes

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Papa Leão XIV realizará uma visita rápida a Mônaco neste sábado (28), com duração de apenas um dia, destacando o contraste entre sua sensibilidade social e a riqueza presente nos cassinos e iates do principado católico.

O anúncio do deslocamento do papa americano para o pequeno território de cerca de 5 km², situado entre o mar e as montanhas, mais conhecido por sua condição de paraíso fiscal do que por sua vocação religiosa, surpreendeu muitos observadores.

Esta visita de oito horas, a primeira de um pontífice ao principado na era moderna, evidencia os laços históricos que unem os dois menores Estados do mundo.

Mônaco, onde o catolicismo é reconhecido pela Constituição, mantém uma relação com a Santa Sé que remonta à Idade Média e envolve interesses diplomáticos comuns, como o diálogo inter-religioso e a conservação ambiental.

Estas afinidades convenceram Leão a aceitar o convite do príncipe Albert II para tornar Mônaco seu segundo destino internacional como papa, e o primeiro na Europa, desde sua eleição em maio de 2025.

O líder da Igreja Católica tem uma viagem importante pela África marcada para abril.

Com a proximidade da Páscoa, a festa mais significativa do calendário cristão, a visita permitirá ao papa, que é mais reservado que seu predecessor Francisco, medir sua aceitação entre os fiéis franceses.

Para Philippe Orengo, embaixador de Mônaco junto à Santa Sé, essa visita reflete também um renovado interesse pela fé católica.

O papa “desejava observar pessoalmente o que está acontecendo em Mônaco, onde esse movimento de renovação baseia-se em uma fé profunda, numa piedade inclusiva e na devoção popular”, disse Orengo à AFP.

Nas ruas do principado, decoradas com as cores amarela e branca do Vaticano, uma grande operação de segurança foi organizada, com bloqueios de vias, telões e barreiras ao longo do trajeto do papamóvel.

A visita ocorre ainda em meio ao conflito no Oriente Médio, cuja crise humanitária denunciada por Leão XIV contrasta fortemente com o estilo de vida no principado.

Mesmo com seus restaurantes sofisticados e carros esportivos, a tradição católica permanece sólida na vida pública e princípe de Mônaco.

“Uma singularidade de Mônaco é uma espécie de laicidade positiva, que regula a autonomia entre as esferas espiritual e secular, promovendo a colaboração entre elas. Conversamos e nos entendemos”, explicou o vigário-geral, Guillaume Paris.

Quando assumiu o trono em 2005, o príncipe Alberto II prometeu moralizar as finanças e modernizar o microestado, que embora sujeito a alguns escândalos, tem avançado.

Chegando de helicóptero — uma decisão diplomática para evitar pousos em solo francês — Leão XIV será recebido com honras no Palácio do Príncipe, residência oficial da dinastia Grimaldi desde o século XIII.

Ele terá um encontro privado com Albert II, que esteve no Vaticano em janeiro. Ambos compartilham preocupações ambientais e paixão pelo esporte. O papa, com 70 anos, aprecia natação e tênis.

Após a reunião, haverá uma saudação na sacada, seguida de deslocamento para a Catedral da Imaculada Conceição, onde encontrará a comunidade católica e realizará uma homilia.

Às 11h45, o papa se dirigirá a jovens e catecúmenos — adultos que estão se preparando para o batismo e cujo número aumenta — na praça da Igreja de Santa Devota, padroeira de Mônaco.

O momento mais esperado será às 15h30 no Estádio Louis II, onde cerca de 15.000 fiéis participarão de uma missa. Todos os ingressos foram rapidamente distribuídos.

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