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Peru define voto para afastar presidente interino na terça (17)
O Congresso do Peru realizará na próxima terça-feira (17) uma sessão para discutir uma moção de censura que pode resultar na destituição do presidente interino José Jerí. O político está sob investigação da Procuradoria-Geral por suspeita de ‘tráfico de influência’.
José Jerí, de 39 anos, assumiu o cargo em 10 de outubro após o afastamento da presidente Dina Boluarte pelo Congresso, ocorrido em meio a protestos intensos e uma crise que abalou o país.
Ele enfrenta atualmente até sete pedidos de afastamento impulsionados por grupos minoritários de esquerda e uma coalizão de partidos de direita, que o acusam de má conduta e falta de competência para continuar no comando.
O presidente provisório do Congresso, Fernando Rospigliosi, anunciou que convocou uma sessão extraordinária para o debate, assegurando que já foram reunidas as 78 assinaturas necessárias.
O mandato de Jerí se encerra em 28 de julho, quando o presidente eleito nas eleições gerais de 12 de abril tomará posse.
Para que ele seja destituído, é preciso obter a maioria simples dos votos. Se confirmado o afastamento, será escolhido um novo presidente do Congresso que automaticamente assume a presidência do país.
O pedido principal, liderado pelo partido conservador Renovação Popular, exige que Jerí compareça ao Congresso para prestar esclarecimentos sobre as acusações.
Durante seu mandato, o presidente possui imunidade e só pode ser processado penalmente após deixar o cargo.
Duas investigações abertas
As denúncias contra Jerí começaram em janeiro, quando a Procuradoria-Geral instaurou uma investigação preliminar por suspeita de ‘tráfico de influência’ devido a uma reunião não divulgada com um empresário chinês com vínculos comerciais com o governo.
Jerí afirmou que não renunciaria e que não cometeu irregularidades nesse encontro, que veio à tona através de uma investigação jornalística.
O líder do Renovação Popular, Rafael López Aliaga, que lidera as pesquisas eleitorais para abril, pediu a renúncia do presidente interino.
O congressista de esquerda Jaime Quito também criticou as ações de Jerí em uma rede social, destacando evidências de corrupção e incompetência.
Nesta sexta-feira, a Procuradoria-Geral abriu uma segunda investigação contra Jerí por suposta influência indevida na contratação de nove mulheres para o governo.
O presidente ainda não se pronunciou sobre esta nova apuração e está convocado para ser interrogado no dia 2 de março pelo procurador-geral Tomás Gálvez.
A investigação visa apurar se ele teria exercido influência irregular nas nomeações feitas entre outubro e janeiro.
Recentemente, uma reportagem investigativa associou algumas dessas contratações a visitas feitas por jovens ao presidente, o que foi classificado pela Presidência peruana como uma divulgação maliciosa e tendenciosa, além de um ataque à dignidade das envolvidas.
O Peru realizará eleições presidenciais e legislativas em 12 de abril, nas quais Jerí não poderá se candidatar. Caso necessário, um segundo turno está previsto para junho.

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