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Peru terá segundo turno; Keiko Fujimori celebra vantagem contra esquerda

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A candidata Keiko Fujimori celebrou nesta segunda-feira (13) os resultados das pesquisas e das estimativas preliminares das eleições no Peru, que indicam que ela é favorita para uma disputa no segundo turno em junho contra o grupo de esquerda.

A contagem oficial dos votos foi lenta, em uma eleição marcada por questionamentos à autoridade eleitoral devido a atrasos e incidentes que estenderam o horário de votação até esta segunda-feira, das 7h00 às 18h00 (horário local).

“Os resultados (…) são um sinal muito positivo para o nosso país, pois (…) o inimigo é a esquerda”, declarou a filha do ex-presidente autoritário Alberto Fujimori (1990-2000) em breve discurso.

Sem um concorrente confirmado, a segunda vaga para o segundo turno é disputada por vários candidatos, incluindo o ultraconservador Rafael López Aliaga, que está bem posicionado.

O próximo presidente terá o desafio de enfrentar os altos índices de criminalidade e a instabilidade política que causou o país ter oito presidentes na última década.

Acusações de irregularidades

Com 40% dos votos apurados, Fujimori liderava a contagem oficial, à frente de López Aliaga, conhecido como Porky.

Em um país onde o voto é obrigatório, quase 63.000 eleitores não votaram devido à falta de cédulas, urnas e outros materiais eleitorais.

“É revoltante que, no século XXI, essas situações ainda aconteçam no Peru. A cada dia piora”, afirmou Martha Tumba, 81 anos, durante protesto em frente ao órgão eleitoral.

No dia da votação, longas filas foram registradas em locais de votação de Lima sob forte calor e umidade. Os candidatos também criticaram os problemas.

“Tratase de uma fraude eleitoral grave e convocaremos um protesto popular”, declarou López Aliaga.

Pesquisas indicam que o terceiro e quarto lugares na disputa acirrada são ocupados pelo social-democrata Jorge Nieto, que ainda pode superar López Aliaga, e pelo empresário de centro Ricardo Belmont.

Antes do término da votação, policiais da unidade anticorrupção e promotores visitaram o órgão eleitoral e a empresa responsável pelo material para investigar os incidentes.

Durante à noite, manifestantes gritavam “fraude” em protesto diante da autoridade eleitoral.

Desafios e cenário político

Grande parte dos peruanos desconfia dos políticos locais, que são responsabilizados pela violência relacionada a conflitos entre grupos criminosos transnacionais e locais.

Os discursos de campanha não focaram no combate à criminalidade. Vários candidatos propuseram medidas radicais, como tribunais anônimos para julgar crimes, prisões com cercas de serpentes, recompensa pela morte de criminosos e saída da jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Desde 2016, o Peru teve oito presidentes, metade deles destituídos por um Parlamento que exclui parte da população.

Em entrevista à AFP antes da eleição, Keiko Fujimori prometeu expulsar migrantes irregulares, atrair investimentos dos EUA e aderir ao bloco de governos conservadores na região, que conta com apoio de Donald Trump.

Os eleitores receberam uma cédula de 44 cm, na qual também votaram, pela primeira vez desde 1990, para deputados e senadores, com o retorno do sistema bicameral em julho.

Mais de 90% dos peruanos demonstram pouca ou nenhuma confiança em seu governo e Parlamento, o índice mais alto da América Latina, segundo pesquisa Latinobarômetro.

Apesar dos problemas, o Peru se destaca como uma das economias mais fortes da região, com a menor inflação do continente e crescimento nas exportações minerais.

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