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Pesquisador brasileiro é reconhecido internacionalmente por estudo sobre Alzheimer

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Wagner Scheeren Brum, médico e cientista brasileiro de 28 anos, foi reconhecido globalmente por seu trabalho que avalia exames de sangue para diagnosticar Alzheimer.

O prêmio AAIC Neuroscience Next “One to Watch” 2026, da Alzheimer’s Association, destaca jovens talentos na neurociência.

Com doutorado em andamento na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Brum faz parte do Zimmer Lab, que foca em doenças neurodegenerativas, sendo o quarto premiado do grupo, que conta com o apoio do Instituto Serrapilheira, IDOR Ciência Pioneira, Ministério da Saúde e Capes.

“Grande parte dos conhecimentos médicos vêm da América do Norte e Europa. É um orgulho fazer parte dos pesquisadores brasileiros que transformam paradigmas mundiais”, afirma o pesquisador.

Limitações no diagnóstico do Alzheimer

Brum pesquisa a proteína p-tau217, biomarcador que sinaliza alterações cerebrais relacionadas ao Alzheimer.

Hoje, o diagnóstico depende principalmente da avaliação clínica, que tem limitações. Falta um exame amplamente utilizado no Brasil para detectar assinatura molecular da doença no cérebro.

Desafios incluem escassez de especialistas em avaliação cognitiva e difícil acesso a exames por imagem, como ressonância magnética. Exames avançados que detectam biomarcadores, como PET e análise do líquor, são caros ou invasivos.

Assim, exames de sangue surgem como opção promissora, porque alterações nas proteínas do sangue refletem mudanças cerebrais características do Alzheimer.

“Um exame de sangue que detecte essas alterações é essencial, pois novas terapias promissoras só podem ser aplicadas após comprovação molecular”, explica Brum.

Interpretação dos resultados

Brum desenvolve um modelo para interpretar o teste de p-tau217 no sangue, o “modelo de dois passos”, para definir quem precisa de exames complementares.

Níveis muito baixos ou muito altos indicam ausência ou presença das alterações cerebrais, enquanto níveis intermediários requerem exames adicionais.

Esse modelo já é usado na prática clínica e fundamentou a aprovação do exame pela FDA nos EUA.

Desafios e perspectivas

Embora o exame baseado na p-tau217 esteja sendo implementado em vários países, o desafio é adaptar o teste aos equipamentos hospitalares disponíveis, garantindo resultados confiáveis em diversos laboratórios.

Também é necessário validar a técnica em populações além da Europa e América do Norte, onde a maioria dos estudos foi feita. “Queremos mostrar que o exame funciona bem em pacientes do Sul Global”, destaca Brum.

O próximo passo é incorporar a tecnologia na rotina de centros especializados e treinar médicos que atendem pacientes com demência, como neurologistas e geriatras.

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