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Pesquisadores brasileiros aprimoram ferramenta usada em UTIs

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Um grupo de pesquisadores brasileiros participou da criação de uma tecnologia inovadora que atualiza um dos principais instrumentos usados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) mundialmente. Essa ferramenta moderniza a escala que, desde 1996, auxilia médicos na avaliação da gravidade de pacientes críticos internados.

Sistema para UTIs

Chamado Sequential Organ Failure Assessment 2 (SOFA-2), o sistema renovado foi divulgado em uma revista científica. O desenvolvimento foi realizado por um consórcio internacional que reuniu 60 especialistas em medicina intensiva, incluindo pesquisadores do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor), do Brasil.

O médico Jorge Salluh integrou o comitê coordenador do estudo. “A participação do Brasil foi fundamental. Tivemos sete intensivistas brasileiros no grupo, com papéis relevantes, como eu que liderei o grupo de dados e validação, e o professor Otávio Ranzani, primeiro autor do artigo principal de desenvolvimento e validação”, explicou.

Salluh esclarece que o sistema atualmente usado em UTIs está desatualizado, pois foi criado há cerca de três décadas. “Na época, modalidades comuns hoje, como hemodiálise contínua e ECMO (oxigenação extracorpórea), não existiam. Esses e outros suportes de órgãos estão inclusos na versão atualizada”, afirmou.

Ele complementa que mudanças nas funções dos órgãos influenciam o resultado final e a mortalidade dos pacientes. “A terapia intensiva mudou muito em 30 anos e fatores que antes impactavam muito a mortalidade, hoje têm efeito menor”, concluiu.

Base global de dados

O estudo considerou as diferenças nos sistemas de saúde e nas populações globais, integrando dados de pacientes de diversas nacionalidades em UTIs reais. Foram utilizadas bases de países de alta renda, renda média e baixa, incluindo na Ásia, América Latina, Europa, América do Norte, Austrália e Nova Zelândia, detalha Jorge Salluh.

Atualizações

O modelo original avalia seis sistemas do corpo humano — cérebro, fígado, rins, coagulação, respiração e coração — atribuindo notas de 0 a 4 para indicar o grau de disfunção orgânica.

  • Sistema respiratório: agora inclui ventilação não invasiva e ECMO.
  • Sistema cardiovascular: considera novas drogas e dispositivos de suporte circulatório.
  • Rins: incorpora o uso de diálise, inclusive crônica.
  • Cérebro: acrescenta avaliação do delírio, importante marcador de disfunção neurológica.

O escore torna-se mais preciso e adaptável a UTIs tanto com alta complexidade quanto com recursos limitados.

A principal finalidade do SOFA-2 é fornecer uma linguagem comum e atualizada para acompanhar a evolução dos pacientes críticos, facilitando comparações entre equipes, instituições e países.

Inteligência artificial

A atualização foi possível graças à inteligência artificial e ao Big Data, reunindo dados de mais de 3,3 milhões de internações em 1.300 UTIs de nove países entre 2014 e 2023.

Segundo o idealizador, a implantação é simples, visto que a iniciativa é colaborativa e sem fins comerciais. A ferramenta é gratuita, e sua descrição completa está nos artigos científicos originais.

O objetivo foi criar um instrumento sofisticado metodologicamente e internacionalmente, mas que também fosse aplicável em UTIs com qualquer nível de recursos, seja de alta complexidade ou mais simples, em qualquer parte do mundo, conclui Salluh.

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