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PF acompanha dono de construtora e fiscaliza carro do prefeito de Macapá
Ao pedir o afastamento do prefeito de Macapá (AP), Dr. Furlan (PSD), e do vice-prefeito, Mário Neto (MDB), a Polícia Federal comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que, durante uma operação na capital do estado, acompanhou um veículo do chefe do Executivo local que transportava uma mochila contendo R$ 400 mil em dinheiro. As ações foram autorizadas pela Corte.
Na manhã desta quarta-feira (4), a PF conduziu uma operação para investigar um possível esquema de fraude em licitações realizadas pela Secretaria Municipal de Saúde de Macapá (AP). Residências vinculadas aos gestores afastados foram também alvo de mandados de busca e apreensão.
Em 23 de maio de 2025, agentes da PF monitoraram o dono de uma construtora que havia retirado R$ 400 mil em espécie em uma agência bancária local. O valor estava guardado em uma mochila preta. Após o saque, o veículo seguiu até a residência do empresário, no centro da cidade, sendo seguido pelos agentes. Ele permaneceu no local cerca de dez minutos.
Depois, o veículo se dirigiu a outro imóvel, ocupado por um segundo indivíduo que carregava a mesma mochila. Esta foi então passada a uma terceira pessoa, que entrou em um Fiat Cronos branco parked próximo dali.
“Consultando o registro do veículo em bases oficiais, descobriu-se que o carro está registrado em nome de ANTÔNIO PAULO DE OLIVEIRA FURLAN, atual prefeito de Macapá/AP”, explica a PF.
Segundo a investigação, o grupo criminoso investigado orquestrava fraudes em licitações e desviava dinheiro público:
“A análise dos elementos coletados revela a existência de um esquema organizado, composto por agentes públicos e empresários, que direcionava licitações, desviava recursos públicos e pagava propinas, utilizando métodos para ocultar patrimônio, como entregas em dinheiro vivo e movimentações bancárias suspeitas”, informa a PF.
Em rede social, Furlan declarou ser alvo de perseguições e confirmou que será candidato ao governo do estado:
— Tudo que esperávamos está acontecendo: ataques, perseguições, atrasos. Mas não estão atacando o Furlan, e sim a vontade do povo e da população de Macapá. Por isso, reafirmo que sou pré-candidato ao governo do Amapá — disse o prefeito afastado.
Durante as investigações, a PF também realizou buscas na casa do motorista do prefeito e encontrou registros de operações financeiras no valor de R$ 3 milhões, realizados por meio de depósitos fragmentados. Os principais beneficiários seriam as empresas Instituto Medicina do Coração LTDA, pertencente a Antônio Furlan, e RCFS Médicos LTDA, gerida por Rayssa Furlan, esposa do prefeito.
Operação
Denominada “Operação Paroxismo”, a segunda fase da ação policial cumpre ordens do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento dos servidores públicos investigados por 60 dias. São cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em Macapá, Belém (PA) e Natal (RN).
A PF aponta indícios de um esquema criminoso envolvendo agentes públicos, como Furlan e Mario Neto, e empresários, com o intuito de manipular licitações, desviar recursos públicos e lavar dinheiro nas obras do Hospital Geral Municipal.
Na primeira fase da operação, em setembro do ano anterior, a polícia já havia informado que o esquema incluía pagamento de propinas. O contrato para as obras no hospital, firmado em maio de 2024, foi avaliado em R$ 69,3 milhões.

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