Economia
PF mira suspeitos em fraude bilionária na Caixa
O empresário Rafael Góis, CEO e fundador do Grupo Fictor, e o ex-sócio Luiz Phillippe Gomes Rubini estão entre os investigados na operação da Polícia Federal realizada nesta quarta-feira, que apura um esquema de fraudes contra a Caixa Econômica Federal, com prejuízos estimados superiores a R$ 500 milhões.
A apuração investiga possíveis crimes como estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Segundo informações da PF, o grupo teria operado cooptando funcionários de instituições financeiras e utilizando empresas para movimentação e ocultação de recursos ilegais. Foram autorizadas quebras de sigilo bancário e fiscal, além do bloqueio de aproximadamente R$ 47 milhões em bens, que incluem imóveis, veículos e ativos financeiros.
Rafael Góis é o principal responsável pelo Grupo Fictor, um holding criada em 2007, que engloba empresas dos setores de alimentos, mercado financeiro, energia, infraestrutura, agronegócio e mercado imobiliário.
Com mais de vinte anos de experiência, Góis iniciou sua jornada no mercado financeiro ainda jovem, trabalhando em uma empresa familiar de crédito. Graduado em Administração de Empresas pela Universidade Candido Mendes, ele conduziu a expansão da Fictor, iniciada como uma startup focada em soluções tecnológicas para logística e gestão empresarial.
A partir de 2013, o grupo passou a investir em private equity, diversificando seus negócios e entrando no agronegócio em 2018, além de adquirir empresas de diferentes segmentos, formando um conglomerado com cerca de dez companhias e presença internacional em Miami e Lisboa, além da sede em São Paulo.
Luiz Phillippe Gomes Rubini, que deixou a sociedade no final de 2024, teve um papel fundamental na expansão da empresa, sendo reconhecido por sua atuação na prospecção de negócios e articulação institucional. Com experiência no mercado financeiro da Faria Lima, foi parte importante do crescimento acelerado do grupo.
Uma das estratégias do grupo incluía a tentativa de aceleração do acesso ao mercado de capitais por meio de um “IPO reverso”, adquirindo o controle de uma empresa já listada na Bolsa.
Nos últimos meses, a Fictor enfrentou desafios financeiros e de imagem. No final de 2025, tentou adquirir o Banco Master antes da liquidação extrajudicial pela autoridade monetária, mas a operação não foi finalizada, gerando uma crise que afetou a liquidez do grupo.
Em fevereiro deste ano, o conglomerado ingressou com pedido de recuperação judicial, alegando dívidas próximas a R$ 4 bilhões, com o propósito de reorganizar as atividades da holding e sua unidade de investimentos, garantindo a continuidade das outras empresas do grupo.


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