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PL perde prefeitos no Paraná após chegada de Moro
Com a entrada do senador Sergio Moro no PL, o partido sofreu uma significativa perda ao afastar 45 dos 52 prefeitos originalmente filiados ao partido no Paraná. Esse movimento foi comunicado durante uma coletiva de imprensa realizada na quinta-feira, liderada pelo ex-presidente do diretório estadual, o deputado federal Giacobo, que também declarou sua saída da legenda.
Adversário de Moro no estado, Giacobo chegou a manifestar sua intenção de concorrer ao governo, mas foi preterido pela direção nacional que optou por apoiar Moro. Em sua declaração durante o encontro, o parlamentar afirmou que a decisão do PL foi uma quebra de acordo previamente firmado, que previa o apoio a um candidato ligado ao governador Ratinho Jr.
“Sempre deixei claro que o PL acompanharia o candidato escolhido pelo governador Ratinho, independentemente de quem fosse. Eu não quebrei nenhum acordo”, disse Giacobo. Ele destacou que não foi ele quem filiou Moro para ser candidato a governador, ressaltando sua decisão baseada em princípios de coerência.
Antes do anúncio de Moro como candidato, Giacobo colocou seu nome como potencial candidato ao Executivo estadual e procurou apoio para uma chapa própria vinculada ao senador Flávio Bolsonaro (PL). No início do mês, ele viabilizou uma pesquisa de intenção de voto para testar sua candidatura, encomendada pelo diretório nacional do PL.
No entanto, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná impediu a divulgação dos resultados da pesquisa, apontando que poderia influenciar de forma irreversível a opinião pública e desequilibrar a disputa eleitoral. A pesquisa testava o nome de Giacobo com apoio de Flávio Bolsonaro, mas não mencionava os padrinhos políticos dos outros candidatos, exceto o deputado estadual Requião Filho (PDT), apoiado pelo PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na esfera nacional do partido, a candidatura de Giacobo foi considerada vetada, conforme anotações do próprio Flávio Bolsonaro, que indicavam que ele não poderia ser candidato por determinação do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Contrário ao apoio dado a Moro, Giacobo chegou a acionar a Justiça Eleitoral para pedir a cassação do mandato do senador, acusando-o de abuso de poder político e econômico em 2022.
Na ocasião, o PL alegou que a exposição e os recursos de Moro em sua pré-campanha para a Presidência conferiram-lhe vantagem indevida na corrida para o Senado. Apesar disso, os tribunais regionais e superiores eleitores consideraram as acusações improcedentes. Fora do PL, Giacobo indicou intenção de se filiar a outro partido de direita alinhado com o governador Ratinho Júnior.
Divisão na base do governo e desistência de Ratinho Jr
O anúncio do apoio a Moro pelo PL rompeu uma aliança que vinha sendo construída com o grupo do governador Ratinho Jr, que incluía o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) como candidato ao Senado em uma chapa liderada por um sucessor ainda não definido do governador. A decisão da sigla bolsonarista ocorreu após Ratinho deixar claro que tentaria a Presidência da República.
Recentemente, o governador desistiu da candidatura nacional e optou por permanecer no cargo até o fim do mandato, decidindo fortalecer a candidatura de seu sucessor por meio da estrutura governamental. As opções para seu sucesor são o secretário das Cidades, Guto Silva — próximo ao governador, mas que enfrenta resistência dentro do PSD — e o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD).
Além disso, o atual prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, também surgiu como possível nome para a disputa. Contudo, ele precisaria renunciar ao mandato, entregando o cargo ao vice, Paulo Martins (Novo), cujo partido está alinhado ao projeto político de Moro. Na chapa, o PL ficaria com uma vaga ao Senado, ofertada ao ex-deputado federal e ex-procurador da Lava-Jato, Deltan Dallagnol, cuja candidatura enfrenta o risco de ser impugnada pela Lei da Ficha Limpa.


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