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Polícia investiga desrespeito a embargo em mansão nos Jardins
A Polícia Civil iniciou investigação sobre possível desobediência ao embargo da construção da mansão do bilionário CEO da farmacêutica Cimed, localizada nos Jardins, um dos bairros mais valorizados de São Paulo.
A residência pertence ao bilionário João Adibe, que enfrenta processo movido pela Associação dos Moradores dos Jardins (AME Jardins) devido a supostas irregularidades no imóvel de grande porte. Adibe é o 86º homem mais rico do Brasil, com patrimônio estimado em R$ 5,2 bilhões pela revista Forbes. Recentemente, também foi mencionado como possível futuro presidente do Palmeiras.
De acordo com reportagem do Metrópoles, a Justiça suspendeu a obra da mansão e proibiu a emissão de Habite-se. Contudo, a defesa do empresário afirmou que todas as autorizações foram concedidas pelos órgãos competentes e que a construção foi finalizada há meses. A prefeitura, por sua vez, informou nos documentos que os proprietários desrespeitaram o embargo da obra.
Um ofício da Subprefeitura de Pinheiros, datado de 6 de outubro, dirigido à Polícia Civil, solicita a abertura de inquérito policial por descumprimento do embargo, após esgotadas as medidas administrativas.
A Secretaria de Segurança Pública informou que a investigação está a cargo do 15º Distrito Policial, que realiza diligências para esclarecer os fatos.
Fiscalização e multas
A Subprefeitura de Pinheiros destacou que, em junho de 2025, agentes tentaram fiscalizar a obra no Jardim Paulista, mas foram impedidos de acessar o local para averiguações. Em julho, foi aplicada uma multa por alteração indevida do alvará de construção, emitido em março de 2024. Em agosto, a construção foi embargada e nova multa aplicada por desobediência ao embargo, motivando o pedido de investigação policial.
Entre agosto e outubro, várias notificações foram enviadas, incluindo alertas sobre reincidência na violação do embargo. Agentes do patrimônio cultural estadual também relataram ter sido barrados na fiscalização, visto que os Jardins possuem tombamento histórico.
Vídeo e denúncias
Um vizinho, o banqueiro André Schwartz, CEO do Banco Genial, denunciou danos ao seu imóvel atribuídos à obra da mansão, incluindo trincas e fissuras. Em documento ao Condephaat, classificou como afronta um vídeo postado pela esposa do bilionário, a influencer Cinthya Marques, que mostra trabalhadores na obra mesmo durante o embargo.
No vídeo, Cinthya Marques destaca detalhes da residência, como a inspiração para a piscina, afirmando que queria homenagear Gianni Versace, além de mostrar a garagem, closet e os diversos tipos de pedras usadas na construção.
Irregularidades apontadas
O bairro Jardim Paulista é exclusivamente residencial e possui rígidas normas urbanísticas. A AME Jardins acusa a construção de não respeitar regras de tombamento, como exceder alturas permitidas, desrespeitar recuos obrigatórios e realizar modificações não autorizadas, incluindo um segundo pavimento em uma edícula.
Além disso, a associação denuncia supressão da vegetação, pavimentação que prejudica a permeabilidade do solo, infiltrações, diminuição da insolação e invasão de privacidade dos imóveis vizinhos. As obras continuaram mesmo após embargos do Condephaat e da Subprefeitura de Pinheiros.
Decisão judicial e medidas
A juíza Mariana Medeiros Lenz, da 9ª Vara da Fazenda Pública, determinou em 19 de outubro várias medidas cautelares, entre elas, a paralisação imediata das obras. A decisão destaca penalizações administrativas anteriores e a constatação de desvirtuamento do alvará pelo Condephaat.
A magistrada ressaltou que a fiscalização foi dificultada, mas inspeção a partir de imóveis vizinhos confirmou que a edícula ultrapassou limites permitidos de altura e recuo.
O risco de danos irreversíveis ao patrimônio ambiental e urbanístico tombado foi destacado, com a continuação das obras apesar das ordens de embargo, prejudicando o uso coletivo do patrimônio cultural e ambiental e causando danos ao solo.
Além da paralisação, foi fixada multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento, podendo chegar a R$ 5 milhões. Também foi autorizada vistoria do imóvel por servidores do Condephaat para apurar irregularidades, proibida a emissão de Habite-se pela prefeitura e ordenada a averbação da ação na matrícula do imóvel no cartório.
Posicionamento do proprietário
Os advogados de João Adibe, Daniel Bialski e Fabio Kadi, afirmaram que a construção recebeu todas as autorizações necessárias e foi finalizada há meses, negando a existência de embargo.
Segundo nota dos representantes, o imóvel possui Habite-se, que comprova a ausência de irregularidades. A família reside no local há bastante tempo.
A defesa também destacou que, em ação anterior, um laudo pericial judicial não identificou responsabilidade de João Adibe pelos supostos danos relatados pelos vizinhos, atribuindo-os a má conservação.
Em relação a processos anteriores movidos por vizinhos, todas as medidas cautelares foram rejeitadas pela Justiça.

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