Economia
População rejeita supersalários e apoia estabilidade com avaliação no serviço público

A maioria dos brasileiros manifesta apoio à limitação dos supersalários no setor público e defende a estabilidade dos servidores. Além disso, a população exige avaliações constantes com base no desempenho e incentiva a diversidade nos cargos públicos, conforme levantamento realizado pelo Instituto Datafolha para o Movimento Pessoas à Frente.
De acordo com o estudo, 83% dos entrevistados concordam com uma regulamentação rigorosa para que nenhum salário ultrapasse o teto constitucional, atualmente fixado em R$ 46.366,19, o equivalente ao salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, alguns segmentos, como o Judiciário e o Ministério Público, ultrapassam esse limite por meio de benefícios adicionais conhecidos como “penduricalhos”.
Somente no caso dos juízes, os valores pagos acima do teto alcançaram R$ 10,5 bilhões em 2024, incluindo remunerações por acúmulo de funções e auxílios como o de saúde. Em 2021, 93% da população já era contrária a esses pagamentos extras, e atualmente oito em cada dez brasileiros apoiam mudanças para fazer cumprir a regra do teto salarial.
Jessika Moreira, diretora-executiva do Movimento Pessoas à Frente, ressalta que “a sociedade repudia os supersalários e aguarda uma resposta da classe política para conter esse problema”, salientando que “qualquer proposta de reforma administrativa que não trate dessa questão não responderá às expectativas do público, que exige soluções para restaurar a confiança no serviço público.”
A pesquisa ouviu 2.008 pessoas presencialmente entre os dias 9 e 12 de junho de 2025, abrangendo todas as regiões do Brasil, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou menos. Os resultados completos foram divulgados em 28 de junho.
Além disso, 75% dos pesquisados consideram a estabilidade dos servidores fundamental para protegê-los de pressões e perseguições indevidas. Por outro lado, 94% defendem que esses funcionários sejam constantemente avaliados, com recompensas e responsabilizações baseadas nos resultados.
Eduardo Couto, coordenador de Conhecimento do movimento, explica que “conciliar a proteção proporcionada pela estabilidade com uma gestão orientada por metas institucionais e avaliações regulares é o caminho para equilibrar segurança e qualidade no serviço público.”
A Câmara dos Deputados formou um grupo de trabalho para desenvolver uma proposta de reforma administrativa que incluirá aspectos como a regulação dos supersalários e a avaliação de desempenho, segundo o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), coordenador e relator do grupo.
Diversidade nos cargos públicos
A pesquisa também aponta que 82% dos brasileiros apoiam a reserva de vagas em concursos públicos para mulheres, pessoas negras, indígenas e quilombolas. Da mesma forma, 80% são favoráveis à inclusão desses grupos em posições de liderança, como diretorias de escolas, hospitais, fóruns e repartições.
O serviço público recebeu nota média 6,9 numa escala de 0 a 10, um aumento de 0,5 em comparação com 2021. Metade dos entrevistados atribuíram essa avaliação ao trabalho prestado pelos servidores que atendem diretamente a população, percentual que sobe para 61% entre aqueles que deram notas 9 e 10.
Jessika Moreira celebra que “a pesquisa demonstra o apoio popular a medidas que modernizem a administração pública, sendo a reforma administrativa um avanço desejado.” Segundo Eduardo Couto, “a população valoriza o trabalho dos servidores, e aprimorar a gestão de pessoas pode elevar ainda mais a qualidade dos serviços prestados.”

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