Brasil
Por que acontece bullying nas escolas brasileiras? Quem sofre mais?
Mais de um quarto dos estudantes no Brasil (27,2%) afirmam ter passado por episódios frequentes de bullying na escola, de acordo com um levantamento recente feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado no dia 25.
A pesquisa, chamada Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), foi realizada com alunos entre 13 e 17 anos de escolas públicas e privadas. Ela aponta um aumento de 4,2 pontos percentuais desde 2019. Os principais motivos para o bullying são a aparência do rosto, cabelo e corpo, além da raça.
De modo geral, 59,7% dos estudantes disseram que não sofreram bullying nos 30 dias antes da pesquisa, enquanto 27,2% relataram ter passado pelo menos duas vezes por situações de bullying. Em 2019, essa taxa era de 23%. A pesquisa também mostra que as meninas são as mais afetadas.
O bullying envolve atos repetidos de violência física ou psicológica, intencionais. Em 2024, o Brasil criou uma lei que criminaliza o bullying, incluindo o cyberbullying, com penalidades que vão de multas a prisão de dois a quatro anos.
Antes disso, havia uma lei de 2015 que definia o bullying e estabelecia a prevenção nas escolas, mas não tinha sanções.
Escolas e famílias estão sendo cada vez mais responsabilizadas judicialmente por casos de bullying e racismo em instituições de ensino. Entre 2020 e 2023, houve aumento expressivo das ações na Justiça relacionadas a esses temas.
Diferenças regionais
Segundo o IBGE, a Região Sul tem a maior porcentagem de estudantes que afirmam não sofrer bullying (61,4%) e a menor taxa de vítimas frequentes (25,7%), sugerindo um ambiente escolar mais seguro ou políticas mais eficazes.
Já a Região Sudeste tem a maior taxa de estudantes que relataram bullying repetido (28,1%), acima da média nacional. As Regiões Norte (26,6%) e Nordeste (26,8%) ficam um pouco abaixo da média. A Região Centro-Oeste apresenta um índice próximo da média nacional, 27,6%.
Efeitos do bullying
Embora a maioria dos estudantes não tenha passado por bullying, uma parcela significativa enfrenta repetidos episódios, o que pode causar danos ao desempenho escolar, saúde mental e ao convívio social.
As meninas são as que mais sofrem: 30,1% delas relataram humilhações por colegas, enquanto entre os meninos esse índice é de 24,3%. Em todas as regiões, as meninas mostram maiores índices de intimidação continuada.
Os pesquisadores usaram uma linguagem adaptada para conversar com os adolescentes, perguntando se já foram “zombados, intimidados ou caçados” por colegas.
Também foi verificado que 13,7% dos estudantes admitem praticar bullying, com mais meninos (16,5%) do que meninas (10,9%) assumindo essa postura.
Quais são as causas do bullying?
A aparência do rosto ou cabelo (30,2%) e a do corpo (24,7%) são as causas mais comuns apontadas para o bullying, reforçando a importância da imagem corporal nas agressões. A cor da pele ou raça representa 10,6%, mostrando que o bullying racial é relevante.
Diferenças econômicas ou identitárias, refletidas no uso de roupas, sapatos ou mochilas, foram citadas por 10,1%. O sotaque ou jeito de falar (8,9%), a religião (7,1%) e o gênero ou orientação sexual (6,4%) apareceram em menores proporções. A deficiência é menos citada (2,6%).
Além disso, há muitas outras causas não especificadas (36,3%), indicando diversas outras razões para o bullying.
Os que praticam bullying também justificam suas ações pelos mesmos motivos: aparência do rosto ou cabelo (22,8%), corpo (17,1%) e raça (17,1%).
O bullying virtual
A pesquisa também abordou o cyberbullying, mostrando que cerca de 1 em cada 8 adolescentes sofre bullying nas redes sociais.
Os dados indicam que 12,7% dos jovens relataram esse tipo de agressão, com as meninas sendo mais afetadas (15,2%) do que os meninos (10,3%).


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