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Economia

Por que estrangeiras enfrentam dificuldades no mercado de delivery no Brasil

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O mercado brasileiro de delivery de comida, o quinto maior globalmente, apesar de seu enorme potencial de crescimento, é reconhecido por especialistas como um dos mais competitivos e concentrados, dificultando a entrada e expansão de empresas estrangeiras. Empresas como Uber Eats dos EUA e Glovo da Espanha já tentaram atuar, mas acabaram abandonando o mercado.

Recentemente, a Keeta, da chinesa Meituan, adiou seu plano de entrar no Rio de Janeiro, mesmo com o compromisso de investir R$ 5,6 bilhões no país em cinco anos. A empresa iniciou suas operações em outubro de 2025 e atualmente está em 11 cidades.

Danilo Mansano, vice-presidente de Parcerias Estratégicas da Keeta, destaca que um grande obstáculo é o contrato de exclusividade que iFood e 99Food firmam com bares e restaurantes.

— Precisamos de um ambiente que favoreça a concorrência justa, ao invés de criar barreiras que impeçam o crescimento e a inovação. Nossa prioridade é resolver questões estruturais que atrapalham a livre concorrência e causam problemas no mercado — afirma Mansano.

A Keeta está em processo contra a 99Food no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão que regula a concorrência no Brasil, além de ter iniciado ações na Justiça. A 99Food respondeu que o setor está amadurecendo e as discussões regulatórias estão ajudando a estruturar melhor o ambiente para o crescimento das plataformas digitais.

O domínio do iFood é apontado por competidores como uma barreira significativa. A empresa controla cerca de 80% do mercado, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Desde 2023, iFood cumpre um acordo com o Cade que limita a 25% as vendas vinculadas a contratos de exclusividade. Apesar disso, mantém uma liderança consistente no setor.

João Montenegro Soares, professor da Escola de Negócios do Insper, comenta que o mercado tem visto a entrada de novas empresas, o que demonstra seu potencial, mas ressalta que o ambiente ainda é complexo devido à dinâmica de relacionamento com os restaurantes.

Bruno Henriques, CEO do iFood Pago e diretor de Operações do iFood, destaca que é essencial que o mercado funcione com regras claras e supervisão das autoridades de concorrência para garantir uma disputa saudável entre as empresas.

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