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Prefeitura mostra plano para mudar linhas de ônibus em audiência pública

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A Prefeitura de São Paulo espera lançar entre abril e maio o edital da licitação do sistema de ônibus municipais com a meta de reorganizar completamente a distribuição das linhas pela cidade. Os empresários que aceitarem participar da licitação devem estar preparados para uma taxa de retorno menor, para oferecer ônibus atuando em quatro tipos de linhas e até mesmo para administrar terminais.

O plano foi apresentado nesta segunda-feira (23) em audiência pública pelo secretário municipal de transportes Jilmar Tatto. A apresentação ocorre três meses depois de concluída a auditoria da empresa Ernst Young, que apontou falhas no atual modelo de concessão e que o sistema de transporte pode ser mais eficiente.

O encontro foi marcado por um protesto de cobradores na porta do auditório. Eles temem desemprego com a modernização do setor. Sobre um eventual risco de demissão de cobradores, o secretário negou que haverá dispensa da categoria em São Paulo.

“O cobrador é uma profissão em extinção no mundo todo porque o dinheiro está em menor circulação. Mas você pode pegar esse profissional para ficar no pré-embarque, ou como assistente do motorista, tem que analisar caso a caso, mas não vai ter desemprego nessa área”, afirmou Tatto.

A Prefeitura estima o valor dos total da operação do sistema some R$ 120 bilhões em 20 anos. Em 2013, após protestos contra o aumento da passagem, Haddad cancelou a licitação que tinha custo previsto de R$ 46 bilhões por 15 anos. No ano passado, para manter a operação do sistema, o subsídio da administração foi de R$ 1,7 bilhão.

10 milhões de passageiros
A audiência pública é uma etapa preparatória do chamado “procedimento de licitação da outorga de execução dos serviços de transporte”. Segundo a SPTrans, a proposta da nova licitação é reorganizar o atendimento 10 milhões de passageiros por dia com base na infraestrutura já instalada.

A licitação será aberta para empresas de fora do país. Jilmar Tatto diz que a medida foi  recomendação do Ministério Público (MP) e dos tribunais de conta da União e do Município. O prazo contratual deve ser de no máximo 20 anos.

Atualmente, o prazo é de 10 anos (com possibilidade de renovação de mais 5 anos) para concessão e 7 anos, prorrogável por mais três anos, para permissão. Após os protestos de 2013, a Prefeitura decidiu renovar os contratos para que fosse feita a auditoria nas empresas e posteriormente definir o novo modelo de licitação para o sistema de transporte.

Outra mudança é em relação à forma de contratação, que só será feita por concessão, e não mais por permissão. A contratação deverá ser por Sociedade de Propósito Específica (SPE), que não poderá operar em outros contratos ou cidade. De acordo com Tatto, o modelo foi uma recomendação do MP e as cooperativas vão precisar se adequar às mudanças.

Quem vencer a licitação vai precisar ampliar os serviços oferecidos na operação, controle e administração de terminais. Caso o contrato previsto na licitação chegue ao prazo de 20 anos, os empresários deverão investir em obras de corredores e terminais, mas os detalhes serão afinados no edital.

Tipos de linhas
Veja abaixo os modelos de atuação das novas empresas:

1) Linha local de distribuição (ex: ruas menores de bairros): farão o atendimento nos bairros. Poderão ter traçado bidirecional (sai e volta para o terminal), ou com traçado circular. O objetivo é atender as pessoas que as vezes querem sair de um bairro e ir para o outro, sem a necessidade de irem para o centro.

2) Linhas estruturais radiais (ex. corredores de ônibus/faixa exclusiva): elas devem interligar regiões da cidade, ter trajeto mais simples e atender maior demanda, com intervalos menores e apresentar veículos com mais capacidade.

3) Linhas estruturais perimetrais (ex: avenidas com faixas exclusivas ou não): devem ter articulação entre regiões, ligação com corredores radiais e ligação entre centralidades urbanas.

4) Linhas de articulação (ex: ruas largas de articulação locais): serão linhas para ajudar aquele passageiro que tem dificuldade para se deslocar a pé entre um ponto de parada ou outro. Essas linhas devem ligar regiões da cidade, ter uma maior cobertura de território, atender média ou baixas demandas, com intervalos maiores e apresentar veículos de menor capacidade.

Rede Madrugada
A Rede da Madrugada, implantada há poucas semanas, será usada como laboratório para a operação e controle da frota para as mudanças nas redes de domingo, sábado, dia útil e depois período de pico. A ideia é que a operação da rede de domingo já seja alterada até julho.

Segundo o secretário de Transportes, a insatisfação do passageiro está relacionada com as falhas na organização do sistema, e não no viário. “Nós precisamos de mais transporte de massa, como Metrô, para resolver os problemas no horário de pico”, afirmou.

Prefeitura de São Paulo mostra plano para mudar linhas de ônibus em audiência pública (Foto: Isabela Leite/G1)
Fonte: G1

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