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Premiê Orbán reconhece “dolorosa” derrota para Magyar nas legislativas na Hungria
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, líder nacionalista, admitiu a derrota nas eleições parlamentares realizadas no domingo (12) perante seu oponente conservador, Péter Magyar.
Com quase 67% dos votos apurados, o partido Tisza, liderado por Magyar, alcançou 137 dos 199 assentos na Assembleia da Hungria, conquistando uma maioria qualificada que possibilita reformas constitucionais.
“Os resultados, ainda preliminares, são claros e inequívocos; para nós são dolorosos”, declarou Orbán, que governa a nação da Europa Central há 16 anos. Ele também parabenizou o partido vencedor.
Magyar, 45 anos, demonstrou otimismo cauteloso após o encerramento da votação, afirmando que Orbán o havia chamado para conceder os parabéns pela vitória, conforme postagem nas redes sociais.
A eleição registrou uma participação histórica, potencialmente beneficiando a oposição, segundo especialistas.
Até pouco antes do fechamento das urnas, a participação era de 77,8%, superando o recorde anterior de 70,5% em 2002.
Os 7,5 milhões de eleitores húngaros, incluindo mais de 500 mil no exterior, escolheram entre cinco partidos no sistema proporcional misto que tradicionalmente favorece o partido de Orbán, a Fidesz, que está no poder há 16 anos.
Líderes europeus enviaram cumprimentos ao vencedor. O chanceler alemão Friedrich Merz expressou suas felicitações e pediu unidade na Europa. O presidente francês Emmanuel Macron destacou a importância da participação democrática, enquanto a presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o coração da Europa bate mais forte na Hungria. O presidente espanhol Pedro Sánchez também parabenizou Magyar.
Na concentração dos apoiadores de Magyar em Budapeste, o clima era de celebração. Orsolya Rozgonyi, executiva de recursos humanos, expressou esperança e otimismo pela mudança política. Maria Toth, dona de casa, considerou a eleição decisiva para o país e ressaltou a percepção de pressão externa sobre a Hungria.
Orbán se destaca na União Europeia por sua proximidade com o presidente russo Vladimir Putin e pela crítica às sanções europeias contra a Rússia após a invasão da Ucrânia em 2022. Seu partido recebeu apoio do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que recentemente enviou seu vice-presidente JD Vance para apoiar Orbán e criticar a interferência da burocracia europeia.
O próprio Trump reforçou seu apoio afirmando que a potência econômica americana estará ao lado de Orbán, que defende a luta contra a imigração e a preservação da civilização ocidental.
Orbán frequentemente entra em confronto com os demais países da União Europeia, que o acusam de enfraquecer o Estado de Direito e suspendem financiamentos ao seu governo. Durante a campanha, ele prometeu continuar ações contra organizações civis consideradas ‘falsas’, jornalistas, juízes e políticos contrários ao seu governo.
Além disso, Orbán se posiciona contra a Ucrânia, acusando-a de tentar envolver a população húngara no conflito.
De forma distinta, Magyar, que percorreu todo o país desde fevereiro para sua campanha, comprometeu-se a fortalecer serviços públicos essenciais como saúde e educação.

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