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Presidente da CPI do INSS solicita retorno de documentos sobre sigilo de Vorcaro a Mendonça
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPI do INSS, anunciou nesta sexta-feira (13) que pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que devolva à comissão todos os documentos relacionados às quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
De acordo com Viana, esses documentos são essenciais para dar continuidade à investigação, consolidar as provas já coletadas e permitir o avanço adequado do relatório final. O parlamentar enfatizou que a CPI tem a responsabilidade constitucional de conduzir as apurações com profundidade, observando o devido processo legal e mantendo a transparência.
O pedido foi feito após o ministro Mendonça assumir a relatoria do processo no STF. Está marcada para a semana seguinte ao feriado uma reunião institucional entre o senador e o magistrado, com o objetivo de discutir a importância da colaboração entre os Poderes para que a comissão possa cumprir plenamente sua função.
Mendonça substituiu o ministro Dias Toffoli, que em dezembro do ano anterior havia determinado que os documentos referentes às quebras de sigilo de Vorcaro solicitados pela CPI não fossem disponibilizados ao colegiado.
Viana classificou como preocupante a decisão de Toffoli. Segundo ele, “Sempre que a CPI é impedida de acessar documentos essenciais, a investigação fica enfraquecida e aumenta-se a desconfiança pública sobre possíveis tentativas de ocultação.”
Toffoli deixou a relatoria depois que a Polícia Federal encontrou menções ao seu nome no celular de Vorcaro. Conforme reportagem do Estadão, Toffoli é sócio da empresa Maridt, administrada por seus irmãos, que possuía participação em dois resorts da rede Tayayá. A empresa vendeu sua participação no empreendimento a fundos de investimento que incluíam como acionista o pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro.
Toffoli confirmou a sociedade e o recebimento de dividendos da empresa que realizou negócios com fundo ligado ao banqueiro, mas afirmou não ter “relação de amizade” com Vorcaro e negou jamais ter recebido valores pagos por ele.
Carlos Viana também confirmou que o depoimento de Daniel Vorcaro está mantido para o dia 26 de fevereiro, conforme definido pela Presidência da CPI. Ele afirmou que pode recorrer à condução coercitiva caso o empresário não compareça.
Na semana anterior, Viana atendia a um pedido da defesa de Vorcaro e adiou a oitiva, inicialmente agendada para 5 de fevereiro, para depois do carnaval, desde que a defesa não entre com habeas corpus para evitar a presença de Vorcaro futuramente.
A CPI do INSS investiga possíveis irregularidades nas operações de crédito do Banco Master. Em um processo administrativo de novembro do ano passado, o INSS notificou que o banco deixou de apresentar 251.718 documentos comprobatórios de contratos de crédito consignado, o que corresponde a 74,3% dos 338.608 contratos informados entre outubro de 2021 e setembro de 2025.
Em declaração à CNN Brasil, Viana destacou: “Chegou o momento para que Vorcaro preste esclarecimentos. Fui categórico ao defender que ele fale para os 254 mil aposentados que tiveram descontos pelo banco dele sem documentação que comprove a origem. Ou seja, o INSS repassava recursos ao Banco Master.”
Ele continuou: “Queremos entender de Vorcaro a origem dessa carteira, se a transferência pelo INSS ocorreu de forma legítima ou houve favorecimento político. Também queremos saber como foram tratadas as reclamações dos beneficiários que alegavam terem sido lesados. A defesa demonstrou boa vontade em trazer Vorcaro, o que motivou meu acordo para adiar o depoimento.”

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