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Presidente interina anuncia novo começo na Venezuela com libertação de presos políticos

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Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, revelou nesta quarta-feira (14) um novo capítulo para o país, com a progressiva libertação de presos políticos, uma promessa feita sob a pressão dos Estados Unidos.

O processo teve início na quinta-feira anterior, logo após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro durante um ataque aéreo dos EUA em 3 de janeiro.

Dentre os libertados está o notável ativista da oposição, jornalista Roland Carreño, somando-se a um grupo que inclui cidadãos americanos liberados conforme comunicado do Departamento de Estado em Washington.

O sindicato da imprensa reportou 18 liberações até às 18h30 GMT (15h30 de Brasília), envolvendo profissionais como repórteres, cinegrafistas, assistentes e membros da imprensa independente.

Delcy Rodríguez assumiu o cargo interinamente após a detenção e envio para os EUA do ex-presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores, que enfrentam acusações de narcotráfico.

Ela declarou: “Esta é uma Venezuela que se abre para um novo período político, que favoreça o diálogo a partir das diferenças e da diversidade político-ideológica”, em uma breve fala no Palácio Presidencial de Miraflores, sem aceitar perguntas.

Segundo Rodríguez, o governo já liberou 406 presos políticos desde dezembro, indicando que o processo começou ainda sob a gestão de Maduro. Na última semana, 116 pessoas foram libertadas.

Organizações de direitos humanos como a ONG Foro Penal relataram 72 libertações desde 8 de janeiro, enquanto o número estimado de presos políticos na Venezuela varia entre 800 e 1.000.

As autoridades optam por liberar os detidos em locais afastados dos presídios para evitar aglomerações de familiares e da mídia. Por exemplo, Carreño foi libertado em um centro comercial.

Em vídeo divulgado pela imprensa local, Carreño expressou que está livre e espera próximos passos de paz e reconciliação. Ele enfatizou a importância da liberação gradual de todos os presos políticos, apontando que não é saudável para o país manter pessoas presas por questões políticas.

Roland Carreño esteve preso desde 2024 após os protestos contra a reeleição controversa de Maduro e faz parte do partido Vontade Popular (VP), sendo colaborador próximo do antigo líder da oposição Juan Guaidó. Anteriormente, trabalhou como comentarista em um programa do canal Globovisión.

Ele foi informado sobre sua libertação de madrugada, estando anteriormente detido no Rodeo I, periferia de Caracas, onde familiares aguardam ansiosamente por libertações.

Carreño já havia sido detido entre 2020 e 2023 por acusações relacionadas a terrorismo, sendo liberado no contexto de negociações entre Venezuela e Estados Unidos para as eleições presidenciais.

Seu caso foi questionado por uma missão da ONU que denunciou crimes contra a humanidade durante a repressão aos protestos.

Entre os libertados também está Nicmer Evans, analista político e diretor do meio Punto de Corte, preso em 2020 por 51 dias.

Washington destacou que a Venezuela iniciou a libertação de prisioneiros americanos, algo positivo na visão do Departamento de Estado dos EUA.

Anteriormente, a administração americana já havia conseguido a liberdade de cidadãos nas mãos de El Salvador em trocas envolvendo imigrantes venezuelanos.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, informou sobre uma reunião com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em que ambos expressaram preocupação com a situação venezuelana e reforçaram que a América do Sul e o Caribe devem permanecer como regiões de paz.

Em Madri, familiares dos 200 mortos nos protestos de 2017 criticaram a demora do Tribunal Penal Internacional em investigar crimes contra a humanidade cometidos pelo governo de Maduro, solicitando maior celeridade nesses processos.

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